Domingo, 5 de Setembro de 2010

quente sabor da areia [na grandeza do rio]

Dizem-me que um rio é um rio. Qualquer um sabe trandordar das margens. E entoar melodias ao luar. Num espelho e luz e pedir à Lua que o venha abraçar. Que tem água, tem o mar. Falam com o mesmo à vontade com que as pedras rolam do leito. Desfeitas nas lágrimas poisadas. Conversam num tempo de guerra. E os ventos são uma incerteza. As vítimas são sempre em maior número e, nos estaleiros, os barcos agonizam mágoas tão díspares! É distinto o meu rio. Eles nunca entraram na casa que descansa na areia e abre as janelas aos pardais, enquanto as garças se encandeiam num mar de azul-verde. Nunca escutaram a música que ondeia na serenidade do branco. Nem provaram o sal que se levanta no ajuste das marés. Não sentiram a mansa e delicada respiração do rio que galgava as escadas até ao sótão. Esquecem-se dos instantes. Quando a areia carregava segredos de espuma que as vozes murmuravam à tardinha no açucarado esplendor do Sol. E as ondas rodopiavam num admirável passo de dança no apetite da pele. Nunca cuidaram das vozes que se ampliam na areia, na sorte dos búzios. Nenhum rio é igual no caminho para o mar.


3 comentários:
De Nilson Barcelli a 5 de Setembro de 2010 às 17:36
Eles nunca sabem nada... Nunca escutaram a música que ondeia na serenidade do branco. Nem provaram o sal que se levanta no ajuste das marés...

Quando o Sol
estende lá fora
o seu véu incendiado,
cuspimos nas mãos
para cavar no deserto
e apenas sentirmos
o que acontece dentro de nós.

 
Querida amiga, bom resto de Domingo e boa semana.
 
Um beijo.


De Paola a 5 de Setembro de 2010 às 18:31
Fiquei no silêncio de te ler... Obrigada, querido Nilson. Um beijo também para ti.


De andare a vivere all'estero a 30 de Dezembro de 2010 às 15:09
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou estudando Português, eu não consigo entender tudo, mas quase! ;)


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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