Sábado, 17 de Novembro de 2012

Desenhos [traços de memória]

Agarrei num lápis de carvão, numa folha de papel muito branca e numa tranquilidade perturbada. Construí riscos. E fiquei sem tempo. Depois, apaguei tudo. Saíram uns traços. E acendi imagens que pernoitavam na memória.

A seguir, exercitei uns pontos. Ficaram umas reticências largas e dispersas. Entrou o sol, o azul e o mar. Uma escassa réstia de vento. Uma ondulação cristalina e uma traineira. Um areal.

Por fim, segurei num risco. Confundi-o num traço. Acrescentei um ponto. Percorri a folha numa volta deslumbrada. De um lado ao outro. Quedei-me na admiração!


(fotografia de Rui J Santos)




2 comentários:
De Nilson Barcelli a 24 de Novembro de 2012 às 13:51

Po vezes é muito bom "acender imagens que pernoitavam na memória"...
Magnífico texto, gostei muito.
Paola, tem um bom fim de semana.
Beijo.


De Paola a 24 de Novembro de 2012 às 17:48
Obrigada, Nilson.

Beijo no teu fim de semana.


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape "Douce l'éternité qui coule des fontaines/ Au printemps quand le vent dissipe les brouillards/ Douce la porte ouverte à l'ombre du grand chêne/ Et douce son odeur dans la soie d'un foulard."

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