Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

Não vou à rua [para não me estorvarem os passos]

 


À noitinha, gosto de andar. Passadas ansiosas, mornas. Devagar. Dissolvo as horas, percorro a avenida guarnecida com linhas azuis vindas do rio. Atalho o tempo. Desfaço o espaço numa amálgama de aromas. Apago as sombras e os riscos. Gasto passos. E peço-te que não tenhas pressa. Que tornes aos gritos de outrora. Para irmos à feira voar no carrossel. Quero agarrar-me à girafa que teima em erguer-se na incerteza das voltas. Sentar-me no colo do cisne de brancos e quietos cantos. Quero as minhas nas tuas mãos reclamando palavras de algodão-doce. E prosseguimos num passo impaciente até à fonte que sustenta as verdes e bravas piteiras de figos açucarados. Eu gosto de andar. Correr pelo chão resguardado pelos versos dos poetas. Hoje não vou à rua. Não gosto que me obriguem a parar.



2 comentários:
De Graça a 2 de Dezembro de 2012 às 23:37


Tenho andado por aqui, devagarinho, já há uns tempos... no regresso das tuas sempre tão magnificas palavras.


Gosto tanto de te ler e mais ainda de ti. Saudades.


De Paola a 3 de Dezembro de 2012 às 15:43
Minha querida amiga... ao ver-te aqui, senti tanta fome daqueles dias passados!!!

Escassa a vontade... Tu sabes que não gosto que "me obriguem a parar"...

Beijo abraçado


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape "Douce l'éternité qui coule des fontaines/ Au printemps quand le vent dissipe les brouillards/ Douce la porte ouverte à l'ombre du grand chêne/ Et douce son odeur dans la soie d'un foulard."

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