Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

aniversário [no tempo em que festejava o dia dos meus anos]

 

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

(…)

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
(…)

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

 

Álvaro de Campos

 

 

 

 

 

 


2 comentários:
De pimentaeouro a 13 de Maio de 2013 às 00:52
Se foi um aniversário tão triste como o do poema lamento.
Cumprimentos.


De Paola a 13 de Maio de 2013 às 14:48
Não, não foi triste assim... só deixou de ter a alegria de infância e sentiu a falta de pessoas que já partiram...

Obrigada


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape "Douce l'éternité qui coule des fontaines/ Au printemps quand le vent dissipe les brouillards/ Douce la porte ouverte à l'ombre du grand chêne/ Et douce son odeur dans la soie d'un foulard."

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