Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

saber

[quando não sei de que falo, calo-me. E olho para lá...]

 

 

Não sei do que falo. Não sei conversar de todas as verdades em que paro. Perco-me e não vejo a minha. Por vezes, tento explicar mentiras. Caio no momento em que encontro outras mais.

 

Não sei de que falo. Na verdade, não consigo comentar o luar. E como a Lua se enfeitiça pelo mar. Não sei de que falo, quando me calo diante da beleza daquela roseira que enfeitava a paciência da minha mãe. E ela nunca lhe entendeu a efemeridade.

 

Não sei de que falo. Minguo na elevação do requebro da gargalhada de uma criança. Emudeço a escutar o marulhar do mar. A acontecer. Não sei de que falo se, por acaso, me debruço no olhar.
 

Fala-me daquilo que eu não sei! Para que eu possa falar…Agora, não sei de que falo. Tão-pouco se quero falar.

 

Não sei de que falo. E depois? Não importa… Desvendo-me dentro do silêncio com que as palavras me protegem. Ah! Eu sei o que é. No entanto, não sei explicar.

 

 


6 comentários:
De Jorge Soares a 16 de Maio de 2009 às 00:06
Não sabes? ninguém diria...as tuas palavras sentem-se.

Beijinho e bom fim de semana
Jorge



De Paola a 16 de Maio de 2009 às 00:10
Cada vez, amigo, sei menos do que falo... porque não me apetece... porque não posso... porque não convém... porque... Depois, calo-me. Pronto!

Bom fim de semana.

Beijinhos


De Jorge Soares a 16 de Maio de 2009 às 00:14
Hummmmm mau....não podes... nós não deixamos!


De Paola a 16 de Maio de 2009 às 00:16
Aqui, falarei até cair para o lado... Arranjarei sempre verdades e mentiras... Daqui, não me queixo...

Beijinhos


De Graça a 16 de Maio de 2009 às 01:17
Tu sabes sempre do que falas, mesmo quando resolves calar-te. Eu gosto de te ouvir... aqui... lá... sempre. Gosto quando concordamos, gosto quando discordamos, gosto quando só fala o olhar, gosto quando só fala o sorriso, gosto quando ralhas comigo, gosto quando ris comigo, gosto quando nos calamos as duas, não porque já esteja tudo dito, mas porque nos entendemos no silêncio, também.

E gosto da tua escrita... tanto, tanto, que não sei dizer... mas sei do que falo!

[venho "alimentada" de tanto Teatro...]

Beijo imenso, querida e minha amiga


De Paola a 16 de Maio de 2009 às 16:55
Sei a minha verdade... a minha mentira... Tu sabes de que falo... sempre que não sei de que falo [do que oiço]. Por isso, basta um olhar...

Nutrida, direi. Só pode!!

Beijo abraçado


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