Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

olhar [de longe, ao perto é uma miragem]

 

fotografia de Jorge Soares

 

 

 

olha-me. Fixamente nos olhos. Assim… de longe, para que não sintas o orvalho que escorre em lava até à minha voz. Para que não saibas que as ervas arrefecidas se esvaecem nos prantos. Na jactância brilhante da cor que presumes. Vai-te, vaidade da efemeridade acordada. As tuas pétalas, agora acetinadas, morrerão na esquina do tempo. Às mãos de argamassa com que elevaste a distância. Não galgarás o muro, sem a verdade dos cimentos. Na certeza que há fundamentos com cor.

 

…olho-te. Amarradamente ao fim. Assim… ao longe, para que conheças a dissemelhança das cores… de longe, para que, no horizonte cinzento-branco do meu olhar, vejas que o cinzento se desconcentra numa alforria de vinhos…

 

…olho-te. De tão longe. Mas sei o arco-íris da tua pele… e o sabor que exala das pétalas carminas… com que me vencias. A mim. Assim

 

 

 


Escrito por Paola às 15:55
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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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