Terça-feira, 30 de Junho de 2009

fluir [como o tempo que se engasga com as lágrimas na voz]

 

Ericeira, Paola

 

O rio está na obliqualidade da paciência da paisagem. E cuido que aquilo que contemplo não é certamente o que sucede. E penso que o rio, que aponto, existe para alcançar o mar. Que a água corre veloz. Como o tempo que se engasga nos seixos do leito deste rio. Eu é que não sei fluir naturalmente, na continuidade do meu caudal. Por desconhecer onde posso desembocar. Não me sei na sintaxe do açude que sossega a água na obediência das regras. No desconhecimento da nascente sôfrega do rio. No desagradecimento das areias receosas do mar.

 

E é na incapacidade de entender o rio que os olhos espargem lágrimas de noites alarmadas pelo silêncio do mar. Na contaminação das águas doces e salgadas. No plácido e celeste rio que irriga a perplexidade do meu olhar.

 

 

 


5 comentários:
De Jorge Soares a 30 de Junho de 2009 às 23:40
Sou um rio ....

Por vezes somos levados pela corrente da vida... até ao mar do destino.

Beijinho
Jorge


De Paola a 30 de Junho de 2009 às 23:48
"... até ao mar do destino..." Gostei, amigo. É para lá que corremos na confluência de todos os rios e afluentes que correm em nós.

Boa semana.

Beijinho.


De Graça a 1 de Julho de 2009 às 00:06
Esse mar oblíquo... de chuva doce de sal, na correnteza de um rio... olha, sabes que mais??? Gostei do texto, pronto!

[e este francês que canta por aqui também me agrada]


Beijos meus doces salgados,porque eu sou uma antítese, como sabes :)


De Paola a 1 de Julho de 2009 às 00:20
Tu és um rio, amiga! No alvoroço das águas que escondes na planura da superfície...

Este francês vai ser, um dia destes substituído. Por outro francês, caro!

Nunca te chamei antítese... Não és não. Talvez... metáfora... aliteração... tão personificadas!!!!

Beijo abraçado.


De Susana Falhas a 1 de Julho de 2009 às 16:31

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Susana Falhas



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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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