Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

tecer [amor ao ritmo do picar dos alfinetes]

 

da Internet
 
 

As mãos urdiam tramas de cavalos alados que galopavam pelo seu corpo de pálidos desenganos. E voavam na alucinação do poema. Os dedos da fazedora de laços coravam nos embaraços das linhas. No corpo delineado nas nuvens, ela compunha-lhe rosto. Num cartão perfurado por lágrimas de determinação, o desenho da renda sobressaltava-se nas ternuras da pele. Um minguado calafrio percorreu-lhe o olhar. O tilintar dos bilros assinalava o ritmo das mãos da fazedora de desacertos. Na volúpia do fogo, as suas faces purpúreas queimavam-se ao ritmo que a imaginação criadora progredia. O trabalho crescia nos pontos desenhados no vazio do tecido. Bruscamente, na desconsentimento da exposição do luxo, emperrou. Ela emaranhou os fios abolorecidos para o cavalo não saber. Despertou os alfinetes. Depois, rematou as pontas e fez-lhes um . Eis a obra. Acabara de tecer a fonte inspiradora dos poetas... na mentira rendilhada da insipidez água.

 

 

 


10 comentários:
De Graça a 7 de Julho de 2009 às 19:14
Lembrei-me de Clio... devidamente castigada pelo nó criado...


Há 'nós' que são obra... quando resultam dos fios 'eu' e 'tu'... um breve jogo de homonímia, porque as palavras são assim mesmo... fios tecidos na mais pura poesia, que é a tua escrita.




Um beijo meu [abraçado :)]


De Paola a 7 de Julho de 2009 às 19:49
... então vou-te contar um segredo... nunca concordei com aquele castigo! Excessivo e despropositado. Aqueles mafarricos que nem conduzir sabiam, engalfinharam-se com os outros vindos nem se sabe de onde e a mulher é que paga? Tadinha, estava cansadinha!!!Sou solidária com as mulheres.


Beijo abraçado.


De Graça a 7 de Julho de 2009 às 19:18
E volto... para falar de amor_______________________________________________________________________________________________ sem nós... homónimas também... :).






E outro beijo meuflorido


De Paola a 7 de Julho de 2009 às 19:50
... o néctar...ambrosia... pois... há os nós... em nos...

Beijo abraçado.


De jabeiteslp a 7 de Julho de 2009 às 21:32
poema de mil fontes
segredados no rendilhar do tempo...
e sempre num rendilhar
adormece o momento...
beijinho


De Paola a 7 de Julho de 2009 às 21:35
... rendas de vida... brocados de tempo...

Beijinho.


De jabeiteslp a 7 de Julho de 2009 às 21:45


De Paola a 7 de Julho de 2009 às 21:46


De Nilson Barcelli a 8 de Julho de 2009 às 17:43
O que escreveste é poesia da melhor.
Desta vez não me perdi nos laços e nós, na trama ou nas linhas e nos pontos do desacerto. Porque não há desacerto desconsentido nas tuas palvras. Como sempre, aliás...
Querida amiga, um beijo.

 


De Paola a 8 de Julho de 2009 às 20:15
Sinto-me renda... assim como a minha mãe tecia... na calada da noite... par não se enganar nos pontos... talvez para desfaxer os nós... Não sei se mereço.

Boa semana.
Beijo terno, querido Nilson.


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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