Sábado, 1 de Agosto de 2009

subir [o caminho inclinado]

Ela subia a calçada ao ritmo do andamento das marés. Acompanhada pela ténue luz da lua. No corpo, levava a ondulação do vento. Maresias de palavras naufragadas. Com as mãos, abalroava dunas de doces ventanias. Nos cabelos, resplendecia a derrapagem das gaivotas. Pulava naufrágios e destroços. As pontas dos dedos pegavam pedacinhos de horizonte. E migalhas de espuma recebidas à noitinha. Içou as velas. Entrou. E amainou o seu incerto navegar. Talvez um dia as perguntas, que ainda constrói, desapareçam.
 
Na ombreira das portas, as mulheres salivavam desinteresses desfeitos nas bocas deslavadas de inveja.
 
No postigo das portas, os homens lambiam-lhe o andar. Sempre que subia aquela calçada, ela calçava sapatos de licor de amora.
 
[imagem da internet]
 
 

 


Escrito por Paola às 00:02
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De Jorge Soares a 1 de Agosto de 2009 às 00:36
"No postigo das portas os olhos lambiam-lhe o andar...." no livro ela usava da magia para enfeitiçar o mundo, na vida, elas usam a sedução do andar ....  e não precisam de sapatos vermelhos de rebuçado....


Beijinho e bom fim de semana
Jorge


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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