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ponto de admiração

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09
Mai08

ao pequeno-almoço - com muito sono

Paola

c  Acordei com vontade de dormir. Quando assim acontece, o ciclo não foi cumprido. O normal repouso que a noite me propiciou foi insuficiente. Para o corpo, para a mente. Não sonhei, não me lembro. Deveria lembrar? Mas estou com sono. O meu corpo espreguiça-se com vontade de dormir.

 

Tenho fome! Tenho sono! Ou durmo ou como. A opção é árdua quando se tem sono. Nada flui... Um momento de caos matutino que espero que passe.

 

Tenho fome! Sento-me  à mesa da cozinha, na esperança que um milagre aconteça e que a minha penúria alimentar seja nutrida de bandeja. Que ilusão a minha! Que tortura. Estou sozinha. Não acredito em milagres.

 

Lembrei-me de Prévert...

 

                    Déjeuner du matin

 

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré.


                             Jacques Prévert

 

Não chorei. Tomei o pequeno-almoço. Admirável.

 

Dizia-me a minha mãe que eu não podia ir para a escola sem comer, que não aprendia... Explicava-me que ficaria desatenta, cansada, irritada... e que isso não era bom. Ela queria que eu aprendesse, na escola. 

 

Comer, comi. O que eu não tenho a certeza é se melhorei... Ainda me falta o café.

 

Até logo, vou para a escola!

 

(Imagem roubada ao Mau Feitio I)

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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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