Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

desatinar

 e quando a fuga não resulta?

 

Correr. Fugir. Apressar o passo. Fugir. E de nada querer saber. Fugir. Quem ficar que fique. Não me afecta. Ou então que corra também. Mas o trajecto é uma encruzilhada. Os quatros caminhos desapertam-se sob os meus pés. Obstinados. Um para cada lado e eu sem saber para onde ir. Porém, quero. E atordoado com o meu desejo desenfreado maldizem comigo. Segue em frente. Não sou capaz… Continua. Agora vira à esquerda. Não é por aí. Força. Tu és capaz. Vira agora à direita. Nem penses. Não quero, já disse. Então decide-te! Se eu pudesse. Contorna a rotunda. Para quê? A circular ando eu e não saio daqui. E eles também. Que nunca estão quietos. Nem tu! Mas eu quero abalar. Olha a rotunda. Contorna-a! Outra vez!? Uma recta, não há? Um caminho amplo e arejado. Aberto. Com luz. Sem curvas por causa dos acidentes... Quero andar, andar até alcançar o horizonte. Nunca ninguém agarrou o Sol, mas o horizonte senhores! Anda-se devagarinho para não tropeçar. E os sonhos estão mesmo ali. Só assim acredito que a estrada tenha fim. Eu quero errar por aí. Porque aqui já não me deixam. E os carros gritam estupidamente descontentamentos que a vida lhes dá. Na encruzilhada dos quatro caminhos. Cruzes canhoto! E eu não sou supersticiosa. Não fujas à regra. Elas existem também para ti. E há circulares. Vai em frente. Desce as escadas. Mais uma sugestão desatinada. Meu Deus! Eu tenho vertigens. Eu ajudo… Tu és um traidor. Não confio em ti. Desiludiste-me. Queres que eu caia? Olha que eu vou… Eu sou capaz. Eu desço, mas depois subo e volto para trás.

 

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Escrito por Paola às 18:14
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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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