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ponto de admiração

ponto de admiração

17
Ago08

galopar

Paola

 

nascimento do poldro serrano

 

Os cavalos a correr, as meninas a aprender,qual será a mais bonita

que se irá esconder?

 

 

E lá vamos todas a correr, feitas cavalos de corrida. Crinas ao alto. Olhos esbugalhados. Escondemo-nos. No buraco que chegou primeiro. Silêncios sustidos. E a brincadeira gargalha o achamento dos esconderijos sonolentos. Gritos de esconde-esconde chegam ao céu. Aparece, já te vi! A decepção de ter sido descoberta. Um, dois, Três! Vi-te Rosa. És tu a ficar! E ela esperava que as outras abalassem. Sem saber para onde. Segurava a boca e os olhos que não podiam ver os percursos escolhidos. Regras do jogo.

 

Vi-te na encosta verde da serra. Aproximei-me mansamente para não te amedrontar. Não queria que fugisses outra vez. O momento é desconcertante, a beleza também. E eu enrolo-me no mais absoluto silêncio. Apenas a música das árvores invade o esconderijo. A vida que brota de ti nasce num instante serpenteado de coragem. Contemplação pura. Ele aparece. Não ouço relinchos doridos. A natureza cumpre-se nos rituais da espécie. O tempo de expectativa não foi assinalado no relógio. Quinze minutos, vinte, trinta… E já ele ensaia os primeiros passos. Dificuldades e hesitações. Sucessos. Olha em seu redor e descobre a fome. E bebeu. E tu admiras-te, envaidecida, pelo milagre de o teres em ti.

 

Aparece! Já te procurei aqui e ali. Porém não vi. Não estás em casa. Nem na rua das laranjeiras agrestes. Aquela que acede ao adro da igreja. Não te vi na esplanada empoleirada no passeio. O jogo chegou ao fim. Mostra-te. Prometo que não emito pareceres. Não te descobri no quarto escuro. Não sou capaz. A noite desmontou ali e as estrelas não quiseram entrar. A lua agasalhou o luar. Um amuo brilhante. Vem! Revela-te sem teimosia e agastamentos. Leal e verdadeira. Dá-me a tua mão. Mas aparece! Sem a desconfiança do pânico. Apanhei-te! Isto é só um jogo e eu fecho os olhos. E o verde dança com o azul no sopé da serra. Ao som da música que sobe do rio. Movimentos delicados e deslumbrantes. Aparece! A passo ou trote. Mas divulga-te a galope. 

 

 

fotografia de João Palmela 

 

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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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