Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

re-nascer

parabéns!

 

Hoje, cumprem-se dois anos da tua vida. Naquele dia, já à noitinha, as flores pintaram-se de cores admiráveis. Os pássaros entoaram cantigas de embalar. Ainda mais harmoniosas. Também mais inolvidáveis. Magníficos acordes. Excelsas consonâncias. O sol brilhou com nova pujança. E nessa noite, as estrelas sorriram. Choraram lágrimas de rir. E silenciaram-se porque as palavras emudeceram no sublime momento em que te vi. Nenhuma fazia sentido. A comoção espalhou-se pelo meu corpo com a certeza de te ter ali.

 

Sabes, Vénus é a deusa do Amor e da Beleza. E que importância tem, se tu és vida e corpo que eu posso beijar? O seu nome tem epítetos forjados no mito. Nada comparável com o teu, mesmo que ignorado por Camões. O teu canta a aglutinação de santo e lago. Pressagia que suplantarás os escolhos da existência. O teu nome tem orgulhos e audácias. Arrojado. E com ele cumprirás êxitos e paixões. E o teu epíteto já é adorado. O templo, em que vives, não tem a mesma grandiosidade que o da deusa-mulher. Não faz mal. O mito foi publicado no papel. Alegórico e simbólico. Moldou o sagrado de devoções que já não existem. Tu és. O olhar de Vénus é vago e perdido na tela. Os seus olhos, quase estrábicos, foram um ideal de beleza. Os teus têm mar. E céu. E o deslumbramento que o admirável proporciona. E entre o Renascimento e o Nascimento, eu escolho-te a ti. Na epopeia camoniana, é deusa-madrinha dos heróis. lusos. Um ornato secundário. Mitológico. Porém, o maravilhoso és tu.

A pele de Vénus é da cor do marfim, com confusão do branco, amarelado e rósea. É excessivamente perfeita. A tua tem brilho natural. Sem amálgama de tintas. O cabelo de Vénus alarga-se e ondula pelo corpo, aprisionando-se na tela de Botticelli. O teu é Sol e luz e brilho. Naturalmente, vida.
O rosto mostra-se eternamente jovem. Que importância tem, se mentir é feio? A boca perdurará fechada. E tu choras e ris e dizes palavras ainda incompreensíveis. Olhos claros? Ela que olhe para ti. Ostenta uma fisionomia de melífera melancolia. A brandura da feição insinua uma benignidade moral que purifica a deusa pagã. Não te importes, meu menino. Às vezes, tu és assim. Mas muito mais. Ela não ri, nem chora. Coitada! Nem há notícia de ter gargalhado. A atitude é de estátua envelhecida. Nada que se compare com a frescura das correrias que fazes no jardim. E também tu representas a natureza plural do amor. Quanto às qualidades espirituais e humanas? Estimo-as superiores. Sim?

 

- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, vó!

- Amo-te!

- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, vó!

 


6 comentários:
De GMV a 1 de Setembro de 2008 às 10:38
Parabéns a esse lindo T. de olhos límpidos, da cor do céu. Para ti, já sabes, do tamanho do mundo.


De Paola a 1 de Setembro de 2008 às 19:37
Oi, Linda.

Bigada, siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!

Beijos


De carla calhorda a 1 de Setembro de 2008 às 15:59
365x2 de felicidade. Não há maior luz do que aquela que me ilumina há 2 anos T de seu nome Arrojado por natureza.
Parabéns pedacinho de mim... obrigado cota enxuta por me teres dado aquele que contribuiu para que este dia existisse e pudesses escrever coisas lindas sobre o nosso " muso " inspirador... jocas da tua nora d' água .


De Paola a 1 de Setembro de 2008 às 18:46
Minha rica nora d'água,

Agradeço eu, pois claro. Que me "deste" luz e brilho...

Gostei do "muso inspirador". Então não é?

Beijinhos


De Ana a 2 de Setembro de 2008 às 17:31
Muitos parabéns, aos dois.

Muitos beijos, cada vez mais gooordos, aos dois também


De Paola a 2 de Setembro de 2008 às 19:32
Oi, Linda!

Mil beijinhos para ti. Gordos, magros e assim, assim.

Obrigada pelos parabéns e por me visitares. Desculpa, mas não tenho Sol à mesa. Podes vir a qualquer hora. Mas tenho inveja... e do mar.

Jokas


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