Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

jogar

  da Internet

 

 

A bola rebola

de cá para lá

num jogo ofendido

em campo perdido

desafio a correr

de tanto saber...

 

Percebem-se silêncios e ansiedades. Tremores e presunções. A bola aquieta-se. Depois, sai a correr para o campo de lá. A jogar. Mas os passos são curtos e é empurrada para o lado de cá. Movimenta-se junto à linha. Sem rede. Sabe que não a pode pisar. Só que pisa. Fora! E ela reentra e movimenta-se pela esquerda. Apressa-se e ataca. Erro tamanho! É sacudida. Esmurrada. E como se já não bastasse, pontapeada. Que crueldade colossal! Bola parada, volta a correr. Sobra para o outro. Mais um pontapé. Não desiste. Para cá, para lá. Pelos flancos e vem ao centro. Não gosta. E escuta aplausos, ignora os apupos. Entusiasma-se no desassossego de jogar. E aí vai ela. E é. Não foi. Quase! Salta e corre e salta. É impelida pelas faltas pessoais. E corre para o campo contrário. Dizem-lhe que o pontapé é livre. Não percebe. Pergunta quanta liberdade tem. Dão-lhe uma ração de quarenta e cinco minutos. Duas vezes com intervalo. Por vezes mais. Só quando há prolongamento. E persiste. Rola e rebola. Falta! É falta! Zás! Mais um pontapé. Assim não dá. O importante é estar no seu lugar. Driblar. Saltar por cima e voltar a jogar.

 

Masoquismo, decididamente. A bola é sexualmente perversa. Envolve-se num acto de amor real. E todos contemplam um espectáculo de humilhação pública. Espancada, atada e submetida ao sofrimento. E o prazer sexual, deste redondo ser, consolida-se na mágoa. Ameaçado e submetido a abusos. E persiste em correr de lá para cá. De cá para lá. Para fora. Ao lado. Dá canto. Dá? Não foi! Está a ser. Quase…

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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