Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

confessar

 de João Palmela

 

confissões cansadas

 

Não, não é Cansaço...  É fragilidade e muita desilusão. São promessas desenganadas. Mentiras publicadas nos matutinos pela manhã e recontadas à fogueira. São intempéries e vendavais incapazes de derrubar tristezas acabrunhadas. São ecos esfaimados que gritam por aí. São vozes que despejam falsidades e ultrajes no analfabetismo do que estão a dizer.

 
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão

 
Não, não é Cansaço... É debilidade e muita desilusão. Uma astenia generalizada que me contunde a alma. São vozes desalinhadas a coordenar vitórias silenciadas. São enxovalhos e decisões que revogam decisões. São incompetências decretadas e espartilhadas de mão em mão. É quebranto enguiçado lançado não sei por quem.
 
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
 
 
Não, não é Cansaço... É instabilidade e muita desilusão. São sonhos derrotados. Desencontros desgrenhados. Uma indisposição generalizada. São dores de cabeça. Nódoas na robustez diariamente entristecida. Aperreiam as cãibras que começam a aparecer e afrouxam andamentos e circulares.
 
Não, não é Cansaço... Eu sei que os rios, por muito correr, também se cansam. Mas é verdade que nem todos disputam o mar. Alguns volteiam ao contrário. Por tanto tentar, esgotam-se e acabam na possibilidade de desaparecer. Porque o seu fim é acabar.

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
 

versos de Álvaro de Campos, Poemas


Escrito por Paola às 09:10
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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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