Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

empatizar

                                                                  

 de Sebastian Picker

 

 

olhares cúmplices

 

Hoje, atrevo-me a escrever sobre empatia. Mesmo que não perceba nada de Filosofia. Nem sequer de Psicologia ou mesmo de Sociologia. Facto que complica a minha determinação. É que agora querem que eu seja empática! Segundo Jordi Montaner uma pessoa extremamente empática vive exposta a um complexo universo de informação emocional, dolorosa e pode ser quase intolerável, e os outros pura e simplesmente não percebem. Seja o que for, não me parece nada bom. Dolorosa? E os outros não percebem!!? E querem que eu seja empática! E eu duvido de tanta erudição e da necessidade de tanta ambição. Isto digo eu que não percebo nada da relação. Que empatizar está no olhar. Que eu tenho que ver e espreitar. Depois, tornar a olhar. Mesmo sem saber o que estou a ver. Porque não quero olhar. Posso?

 
Exigem-me que entre no outro e perscrute as suas emoções. Eu observo, mas não me acusem de indiscrição. Avaliar o estado de pobreza. A fome e a sede. E depois, faço o quê? Da teria à prática, instala-se o sentir que não sinto porque não é o meu. Mas tenho que empatizar! Querer o que o outro quer… e se eu não quiser?
 
É que agora tenho que empatizar! Ler o que o outro lê? Nem pensar! Aprender como ele aprende. Não sei! Nem me apetece deixar de ser eu para ser ele. Não prescindo da minha faculdade de compreender emocionalmente a realidade. Um quadro, um livro, o pôr-do-sol, o volutear de uma borboleta… A emoção é minha, a empatia também. Nem me parece bem andar a desembolsar emoções! Porque pessoais, intransmissíveis. 
 
É que agora tenho que empatizar! Frustação danada! Então, eu nunca empatizei? E só agora é que me avisam? Que falta de empatia! O que importa são os actos. E os rostos! Que devem ser muito humanos… Empatizar  é viver! Só que teimam em contar.
 
É que agora tenho que empatizar! Empatia é uma palavra! Afinidade, compreensão… Creio que se anda a atropelar os vocábulos. A invocá-los em vão, o que é pecado. Convém melhorar o conteúdo. E, porque tenho com eles uma enorme relação empática, não me parece nada bem. De facto, não sei nada de empatias.
 
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa

 


8 comentários:
De GMV a 3 de Dezembro de 2008 às 21:08
Entendo as tuas palavras, tão bem! Mas não posso deixar de pensar que a nossa empatia foi imediata!

E porque tenho outras "empatias", hoje bebi café com Bélinha Espanca...

Beijos meus.


De Paola a 3 de Dezembro de 2008 às 21:14
Empatias, cumplicidades... porque não adulterámos as palavras, porque não quisemos mostrar, mas fazer, talvez...!

Traidora!

Beijos e para a Bélinha Espanca, também.


De jabeiteslp a 3 de Dezembro de 2008 às 22:25
olá
gosto da tua tese de empatias
e dizer mesmo
vamos empatizar as muitas manias
não é seca
mas essa frase é demais
"não consta que tivesse biblioteca"

joca da Covilhã

ó Lidia, onde vais tu procurar
esse prazer teu de interpretar ?
é que é de sonhar...





De Paola a 3 de Dezembro de 2008 às 22:28
Seja muito bem-vindo...

Beijinho



De jabeiteslp a 3 de Dezembro de 2008 às 23:06

obrigada
mas tu cá tu lá
ok ?

beijinho


De Paola a 3 de Dezembro de 2008 às 23:30
Que seja tu cá, tu lá...

Beijinho


De Jorge Soares a 3 de Dezembro de 2008 às 23:23
Sabes que eu empatizo contigo?... e não é de agora :-)

Gostei deste post... bom, dos outros todos também

Beijinho


De Paola a 3 de Dezembro de 2008 às 23:30
Se empatia é isso, então também empatizo contigo.

beijinhos



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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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