Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

resmonear

da Internet
 
 
Ao mesmo tempo que o frio rasga a pele, a chuva lambe-me as feridas e a dor cala-se num grito que dói. Com paladar a beijos indiferentes ao ar enregelado que sopra com rudeza. São afectos do longe, lá de cima… Bátegas de sustento que chegam à raiz. Aguaceiros de pão abeiram-se das folhas decadentes que se cumprem ao ritmo do vento. Gotículas de subsistência entranham-se no sôfrego tronco e o arco-íris denuncia o roubo das cores com um sorriso complacente.
 
A chuva chega ao rio. O rio começa a correr e eu persigo a água na expectativa de semear frutos que me abalaram do ventre. Sento-me, devoluta, e espero. Espero tanto que o vento amansa e, mesmo ali, pinta um retrato que aprimora para mim. Quando olho para a água, são os olhos deles que refulgem na escuridão. Então, vou ficar à espera que eles desabrochem, continuadamente.
 
Já vai longo o dia. Chove normalmente. Amanhã, não sei se volta ao normal. Nem sequer percebo nada de normalidade. Amanhã é o dia que não se tem… é condicional, mas vou continuar a esperar como se fosse futuro.
 
Não vou resmonear contra a chuva que não tive... Hoje, sinto-a a bater obliquamente no meu rosto. Escorrega pelo casaco e os seus dedos fluidos suspendem-se na bainha encharcada. Dali, pulam para o chão… Não vou resmonear contra a generosidade do Inverno… Apenas o injurio... porque afoga a chuva no rio.
 

7 comentários:
De Paola a 29 de Dezembro de 2008 às 21:11
Bjo


De jabeiteslp a 29 de Dezembro de 2008 às 21:41

no teu sentir
de sentir-me bem



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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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