Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

estorvar

marcha silenciosa
 
 
 
Tenho a cabeça estorvada por hesitações e muitas contestações. Sempre que a minha cabeça se engasga na promiscuidade do sim e do não, o meu corpo estaciona no mais profundo silêncio… às vezes, dói. Outras não.
 
Tenho a intenção reprimida por impressos de papel. Sempre que a minha vontade se cala na maré negra da incerteza, esgrimo efeitos nefastos. Sem a certeza de poder limpar a areia, a tempo de evitar o desastre. Quando cesso o meu querer, não quero.
 
Tenho a convicção incomodada por devaneios impostos. Sempre que a minha fé se questiona no dispensável fazer, olho a minha vida passada. E num atordoamento corrompido, percebo que as minhas ideias minhas se deitam num copo vazio de querer.
 
Tenho a cabeça coberta por desarmonias. Sempre que a minha cabeça se desorienta no querer, o meu corpo embriaga-se na loucura de gestos vacilantes. E sou acção de corpos que não o meu, na estúpida perplexidade de achar outros a andar.
 
Reconheço, por isso, a nudez dos meus pensamentos… e visto-os com adjectivos desqualificativos. Se eu fosse uma orquídea espalhava perfume…
 
 
Orquídeas
Fotografia de João Palmela

Escrito por Paola às 12:16
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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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