Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

conjugar

 

 sedução verbal
 
 
 
Amo-te! Não distingue o presente do pretérito? Perfeito? Ninguém diria... Maldito tempo! Também amei. Não creio! Amaras tu alguém e … Outra vez! Cala-se! É uma mistura explosiva. Cuidado, amiga. Amor mais-que-perfeito não existe! Ora… e é preciso esse imperativo totalitário, é? Que queria, então? Vê, agora é o senhor. Perfeito! Qual condicional! Ah! Amaria se pudesse… Não me chateie. Quero um indicativo real. Certeza e realidade. Sem me importar com tempos. Que seja pretérito perfeito. E foi! Que tenha sido imperfeito! Também. Mas absolutamente mais-que-perfeito. Foi! Repare que foi a senhora que assumiu a possibilidade expressa nesse conjuntivo duvidoso. Que imprecisão! Tem dúvidas, é? Saia da minha frente! Que aborrecimento… Desculpe? Ordem ou conselho? Claro, um pedido… Não! Soa-me a instrução. Por favor, não me arruíne o dia. Desapareça!!! Calma! Não seja tão impulsiva. Eu vou… Graças a Deus! Até que enfim um presente a indicar o caminho. Não sei… Talvez volte amanhã! E voltaria com muito agrado. Tenho estado a pensar que … Também pensa? Abale e pense depois. Bem longe daqui. Continua irritada. Eu? Sim! É tempo de sair… Já deveria ter ido e ainda me fala de tempo! Que descaramento. Tenha modos! Ter, eu tenho. A senhora não me está a entender. Tenho todo o tempo do mundo para si! Arrogante! Presunçoso! Então, o que é isso? Difamando? Pronto! Era só o que me faltava! Algemando a conversa. Afligindo-me nessa inútil continuidade. Eu explicaria, se se calasse… Treta! Não quero ouvi-lo mais. Estou farta. Percebeu? Oiça o que falo… foi apenas uma condição. Como não se cala não vou explicar nada, percebeu? Não! Mas posso calar-me…
 
Amou?
Ama?
Amará?
Amar-me-ia?
 
Desapareça! Morra! E publique no jornal que foi morto. Não se preocupe se é morto ou matado… O importante é ser particípio muito passado. Na primeira pessoa do singular.
 
 
 pombinhos na calçada
Paola
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Escrito por Paola às 22:28
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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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