Quarta-feira, 11 de Março de 2009

esconjurar

ou a inaudita estranheza

 

 

 

O que hoje vos vou contar é um facto isolado. Nada que justifique alardes nos jornais e outros que tais. Tudo muito normal nesse recanto da terra.

 

Havia por lá sujeito que nem fazia mal. Apenas um desbocado, por vezes inconveniente. Quem? Quem? Eu! Evidentemente. Não havia predicado que não cantasse e assumisse como seu. O homem não sossegava, tanto era o cumprimento. Apregoava que não queria morrer sem se conhecer de verdade. Irritava aquela interacção entre o sujeito e os predicativos a que se ligava. Não fazia, nem deixava fazer. Mas fazia, dizia ele. Gabarolices, enfim! Havia muito quem se admirasse. O quê!? Este tipo não tem complemento! Não trabalha! Ainda por cima, nem é directo. A quem? Ele não é desses! Não faz nada a ninguém. É um embuste interesseiro. Certo! Não quer ele outra coisa… Caprichoso e determinado, descansa na apatia do outro, o predicativo do sujeito. Avesso ao trabalho, também. Permanecia por ali, era um paspalho e estava sempre a esconjurar. No domingo, fez uma cena desgraçada por causa do vocativo. Nem o conhecia!! Insultou-o inexplicavelmente, conta quem assistiu. Tem razão, Afonso. Ignora-o… é um presunçoso maldizente. Ainda teve o atrevimento de aferrolhar o aposto entre duas atrevidas vírgulas! Que são aqueles pontos que andam sempre de rabo-de-cavalo. Só lhes falta o ganchinho cor-de-rosa… Uma pausa para retomar o fôlego, desaprovava-se. É óbvio que o complemento circunstancial de causa se viu compelido a chamar a polícia. O agente passou-se, que não estava para aquilo, que estava de serviço na outra rua. Foi uma vergonha. De imediato, todos os complementos de companhia se juntaram para o enxovalhar. Que era um agente da passiva ou qualquer coisa do género, que eu não me meto em desordens e muito menos quando envolvem a autoridade. Só que a coisa se complicou quando apareceu um sujeito muito bem trajado, um subentendido que ninguém conhecia. E vá de perguntar pelo complemento determinativo. Que imbecilidade! O homem estava mesmo determinado a descobrir a verdade. E berrava com toda a gente. Quem? Onde? Quando? Ainda por cima, exigia saber qual tinha sido a arma do crime. Através de quê?? Isso é lá pergunta que se faça? Adorei! Ninguém lhe respondeu. E quando o corrompido do complemento de causa esboçou vontade de tudo desvendar levou logo um tabefe de um tipo que avançou do meio da multidão, um tal de instrumento.

Antes que houvesse sangue, coloquei um prolongável ponto final, fugi dali para fora, não fosse sobejar para mim. Garanto que não entendi tamanha barafunda. Agora que o sujeito veio com as tretas do costume, lá isso veio. Mascarado! Os predicativos do sujeito, afiançaram. Qual quê! O homem é um contrabandista praticante, é o que é. E o tempo que eu perdi? Vou amaldiçoá-lo, ai vou, vou.

 

[imagem da internet]

 

 


Escrito por Paola às 00:24
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