Terça-feira, 17 de Março de 2009

atempar

O vento rodopia rápidas reprimendas. Por aqui e por ali. Mais além, acolá também. Divulga-se, voa, galga mares e escala montanhas na mais completa ânsia de transposição de espaços. Dispersa-se nas línguas e nas gentes. Sabe segredos que partilha a cada esquina. O ancião carrega uma mão cheia de sentidos. E pelos dedos, conta um a um… concluindo, invariavelmente, que lhe falta outro. Que a conta está errada!

 

O tempo inveja-lhe o ofício. Quer ser vento, de manhã, à tarde, até de noite. Por isso, põe-se a acontecer, implacavelmente. O vento graceja da incapacidade. Lembra-lhe a ausência de mãos e acrescenta que não tem sentido o que teima em fazer. Que guarde as asas! Quebradas não chegam ao céu… alerta.

 

Percebi a dignidade do vento. Se não desperta todos os dias com a mesma intensidade, a erro é do tempo. Ao relógio, extingo a corda… vou deixá-lo a abolorecer. Sempre que o meu relógio não tem tempo, a minha liberdade solta-se com o vento. 

 

[imagem da internet]

 


4 comentários:
De Jorge Soares a 18 de Março de 2009 às 22:52
Agora percebi... porque há muito não sei o que é um relógio.... não quero ser aprisionado com os grilhetes do tempo que passa ou que não passa.



De Paola a 18 de Março de 2009 às 23:08
É mais ao menos isso... A gente pega no relógio, atira-o contra a parede e já está! Não há tempo que resista a tamanho enxovalho. Ficas sem o relógio e na ilusão de teres acabado com o tempo. É tão bom ter sonhos!!

Beijo, amigo.


De PARADOXOS a 19 de Março de 2009 às 10:10
um blog obrigtório pra quem gosta e ama as palavras!


sem dúvida!


beijos muito fraternos!


De Paola a 19 de Março de 2009 às 11:34
Que bem me soube a tua presença... e o doce mel que deixaste.

Obrigada.

Beijos amigos


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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