Sexta-feira, 27 de Março de 2009

vestir

verrmelho a_paixão

 

Ela trazia calças de ganga azul-amortecido. Uma ampla camisa branca-devassada. Botas de camurça preto-quebrado. Os cabelos amarrados com sombras cinzentas. Naquele tempo, ela desnudava-se de aparatos trajados.

 

Um dia, encontraram-se no olhar, à hora de almoço. À noite, deram as mãos e amaram-se até de madrugada. Como o Sol ama a Lua que se pôs a chorar. O Sol garantiu que não. Que todas as noites dormiria sobre o seu corpo até ele acordar. A Lua tornou a chorar. O Sol não lhe deu razão. A Lua chorou mais uma vez. Mediu a distância e num segundo pressentiu o caos. E o pranto foi tamanho que todas as constelações soluçaram também. As lágrimas de Pégaso galoparam pelo céu, por tanta incompreensão. Mas todos souberam que Perseu e a encantadora Andrómeda também se desejaram.

 

Agora, ela veste-se mais bonita. Só enverga vestidos-paixão. E tenta voar…

 

[fotografia de Alberto Seveso]

 

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Escrito por Paola às 00:54
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De GMV a 28 de Março de 2009 às 19:28
Kalinichta, querida Paola.

Esses gregos... essas constelações [Cassiopeia anda perto, e é a minha preferida!]... este texto... "Um dia encontraram-se no olhar...". O vestir está também na alma... e tantas vezes uma roupagem adequada faz voar.

Olha, era só para dizer que gostei muito deste teu vestir...

Filakia, meus, pois claro


De Paola a 28 de Março de 2009 às 19:37
Minha amiga, que helénica andas tu... Sabes, o amor faz-se de roupagens, de cores, de paladares... às vezes torna-se necessário revestirmo-nos... a alma também, evidentemente... Tantos Eles e Elas, pronomes imperfeitos, que se disseram na impossibilidade de amar... como o Sol e a Lua...

Beijo abraçado


De GMV a 28 de Março de 2009 às 21:18
[e mudaste o final...]

Bom domingo, querida Paola

Beijos meus [flores para os relatórios :)]


De Paola a 28 de Março de 2009 às 21:27
É, amiga, um defeito que advém da minha imperfeição... não foi o final... agora Ela pode voar...

Beijo abraçado

[Nem com flores lá vou... que irritação!!!]


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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