Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

rebuçado para a tosse [diálogo d'entrada]

- hum...
- pois…

- queres um rebuçado?

- porquê?

- tens tosse…

- ah!!

- é para a tosse… desembaraça… tira a cor baça…

- não é para mim…

- pois… é um modo de dizer…

- a tosse disse que não

- pois… e tu?

- eu não quero… não tem cor

- tem doce…

- cola-se… engasga...

- fazes mal…

- estou bem

- tens tosse

- cala-te

- fazia-te bem

- o quê?

- o rebuçado…

-deste-o à tosse…
- não dei
- ela não gosta

- parece que não

- não

- um rebuçado não faz mal

- nem bem… mas apoquenta… dá muitas voltas…

-
- não te vou morder

- podes melhorar

- estou tão bem

- não é morder… trincar é melhor

- pois…  trincar é quando o vidro quebra, mas não despedaça…

- parvoíce… a língua não se parte…

- não posso

- pois… podes roer as unhas…

- não tenho tosse
- palavras
- tanta água
- desculpa
- está bem…
- o rebuçado…
- se tivesse tosse, mas não tenho

- estás com cara de galão escuro

- estou tão bem
- não estás…
- não gosto

- do rebuçado?

- do leite… o café pode ficar…

- mete-o no bolso… o rebuçado…

- a bala... vou trabalhar…
 
 
 [imagem da internet - bala=rebuçado]
 

 


Escrito por Paola às 00:03
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De Eduardo Aleixo a 7 de Setembro de 2009 às 23:59
Sinceramente, andei às voltas com o rebuçado na boca, estava distraído, perguntei-lhe como se chamava, ele respondeu-me que era uma bala surrealista, eu não percebi, você disse bala ou bela?, perguntei, é uma bala bela, mas estava confuso com a estória, mas não a largava, embora tivesse jogado o rebuçado fora, ficou-me na boca o gosto insinuoso, ardiloso, docemente manhoso, adstringente de um diálogo de hortelã pimnta, não, mais de orégão na salada de tomate, que eu adoro, e foi assim, sem perceber bem a estória, que ela me cativou, a minha boca salivou...  


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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
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