Terça-feira, 2 de Junho de 2009

navegar [por mares de aflitas amarras]

 

fotografia de João Palmela

 

… porque a importância é importante, não a desminto. Antes, velejo por mares quebrados. E, ao longe, vejo a reconciliação de proficientes caravelas. Na proa, os marinheiros exauridos lambem o sal dos abalroados namoricos… e desamarram as amarras com as pontas dos dedos. Desatando frutos. Tecendo nós.

 


Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

navegar [entre mil doses de sede]


 

Nesta clara manhã de sol inquieto, acordei com um inusitado desejo de ver o mar. Aparelhar a cama e zarpar. Bracear à bolina, na fé de um vento propício. Neste existente tempo de caravelas perdidas no azul-partida, adivinho as velas a bailar. Asas abertas ao vento… ancoradouro da minha escolha… refúgio de anémonas-do-mar… de rosários e corais… É a opção que dói! A impossibilidade que rasga a pele.

 

Eu olho-o na carícia do meu olhar e largo a prioridade… velejo à deriva… na incessante busca da maré do princípio. Porque há beijos para além do mar… e, no rio, os búzios entoam cantigas de chegar.

 

Fotografia de Jorge Soares

 

 


Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

galopar

 sem tempo

 

 

Perguntei ao terceiro para onde estava a olhar. Não me respondeu, o sabido. Disse-me para o segundo questionar. Foi isso que fiz. Diz-me, que vês tu? Retorquiu em silêncio que nada tinha a declarar. Que o primeiro deveria interpelar. Por uma questão de hierarquia. Mais nada diria. Já agastada com a história, lá tornei a pedir. Descreve com detalhe o que estás a observar. E num suave relincho, o equídeo foi explicando que o tempo se estava a esfumar. Todavia, estás a olhar! Insisti. Sim. Mas olho e coisa nenhuma consigo agarrar. E tanto para galopar até chegar ao mar! Descobre tu o que estamos a contemplar. Desafiou o esplêndido quadrúpede. E os três continuaram a olhar.

 

 

Fotografia de João Palmela


Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

aquecer

 

dia de coisa nenhuma

mês calado

 

Em Agosto o país está de férias. Abundâncias de Verão. O café da rua tem grades na janela. E procurar alternativas à rotina dá trabalho. A mercearia do Mário reabre mais tarde e encerra na última semana. E lá se vai o pão da manhã. Quente e estaladiço. A fruta também. A Elisabete da papelaria preferiu os Açores. A loja de informática não vende consumíveis porque os fornecedores estão de férias. O Centro de Saúde vai abrindo. Hoje o médico não veio. Está de férias. Mas veio outro. Para quê se a farmácia anuncia rotura de stock? A Maria não partilha conversas bisbilhoteiras na mesa do café, pela de manhã. Procurou a praia que não é aqui. A poluição sonora é um estorvo melhorado. Também os carros procuraram o ócio. E levaram ruídos e barulhos ensurdecedores. Motores alvoroçados desde a manhã. Buzinas nervosas a denunciar estacionamentos suprimidos. Ou acenos expansivos. O senhor Alfredo da padaria pegou na tenda e aferrolhou a porta. Levou o cão e disse que o melhor era fechar. Já escasseava o pão. Refilava exaltado que todos têm férias e que ele também é gente. E os autocarros circulam na rua com menos frenesim. E a São, que é cabeleireira, avermelha-se na República Dominicana. O matracar infernal das maquinarias na oficina das marquises e estores amansou. A rapaziada é jovem e está a adubar-se na praia. A Joana teve que ir à terra. Há que visitar a família. E Agosto dá-lhe tempo. É por tudo isto, que a minha rua se despiu do seu reboliço rotineiro. Um deserto sem oásis. As dunas são miragem e a areia está no outro lado. Do lado do Sol.

 

 

Agosto está de férias. Viajar é viajar. E ele aí vai. Descansar é descansar. E ele fica por aqui. Dormir é dormir. E ele acorda tarde. Aqui e ali. Agosto é preguiçoso. Mas não quer assumir que a preguiça faz bem. Não trabalha. Está de férias. Não pode. E não se lembra que só será gaiteiro, se for bonito o primeiro de Janeiro. Janeiro já lá vai. E estava um frio de estalar os ossos. Conversar é conversar. E ele não se cala ao café. O assunto é que escasseia. As palavras também.

 

Agosto só fala de férias. De praia com muito Sol. Por vezes, interrompe e traz para a conversa palavras campesinas. Conta viagens. Devolve saudações da família.

Finge-se jovem. E garante que o seu corpo é perfeito. Vangloria-se da sua pele dourada. E não conta a viagem que não fez. Confessa-se um viajante compulsivo. Percorre o mundo inteiro. Mas só escolhe locais com praia. E com sol. Depois regressa e lê no jornal que o endividamento das famílias aumentou. Que um novo recorde foi batido. E pergunta em que modalidade. Garante que tem estado atento aos Jogos Olímpicos e não deu por nada.

 

E debaixo do chapéu-de-sol da esplanada do café do senhor João, a Lena anunciava a sua sorte. Estava de férias. Por ser Agosto. Almoçava e jantava com os miúdos. E passeava com eles. E contava como eles se riram no Parque Infantil. Hoje, não faço nada. Juro! Reservei este dia para não fazer nada. E nada é nada. Durmo em casa e como no restaurante. Talvez nem coma! Os rapazes estão com a avó. Ele foi trabalhar. Que bom! Nada! Não farei nada. Só porque estou de férias e é Agosto. Vou jantar com uns amigos. Depois não tenho tempo.

 

E todas riram das palermices. Eu enunciei, em tom solene, que concordava em absoluto. As férias também servem para não fazer nada. Está iniciado o meu dia da mais buliçosa preguiça. Nada. E não faço nada. Não por ser Agosto. É mesmo porque não quero que Agosto mande em mim. Safa! Já basta Dezembro.

 

 fotografia de Paola


Domingo, 6 de Julho de 2008

marés de saudade

o mar está cheio de saudades

 

Porque o mar é azul. Imenso. Luminoso. É guerra e paz. Partida e chegada. Eu tenho a cabeça cheia de mar. E muito azul. Viagens que fiz mais as que inventei. O mar tem barcos. E barquinhos de papel. De jornal com notícias de naufrágios. De lustro com muitas cores brilhantes. Aprendi na escola. Nunca enjoei. Não tem apartamentos rurísticos. O meu mar diz-se em marés de saudade. De memórias que se cumpriram num espectáculo sempre igual e sempre renovado: o Mar. De amar! De mar ao luar. Com Léo Ferré...


Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

intervalo

 

 o mar preguiçoso

 

Intervalo. Porque está calor. Porque me apetece. Porque a praia é uma urgência e o mar um fascínio. E a Bretagne, França, beija e acaricia o mar.

 

Uma terra sem medo do oceano. De lendas e histórias de encantar. Com druidas e poções mágicas. Carvalhos fantásticos. Com restos de cultura milenar. Os celtas deixaram palavras e música. Hábitos e crenças. E tem Astérix e Obélix. E o far breton que eu adoro. 

 

 

Préparation : 10 mn
Cuisson : 50 mn

Ingrédients (pour 6 personnes) :

- 250 g de farine fine
- 150 g de sucre
- 1 paquet de sucre vanillé
- 4 gros oeufs
- 1 litre de lait
- 100 g de pruneaux dénoyautés (qu'on aura fait tremper dans de l'eau avec un peu de rhum)
- 1 petit verre de rhum


Préparation :

Mélanger la farine, le sucre et les oeufs un par un. Ajouter le sucre vanillé et le lait peu à peu. Ajouter le rhum.

Verser cette pâte dans un plat bien beurré, y placer les pruneaux et cuire à four chaud (thermostat 6/7, soit 200°C environ). Surveiller la cuisson à partir de 35 mn.

 

 

 

Recette pas trop mal mais n'oubliez pas de faire tremper les pruneaux dans eau + rhum, et de les rouler dans la farine avant de les disposer dans le fond du plat et y verser la pâte... Et oui il faut du rhum. Du rhum, des femmes et un far, non de Dieu c'est ça qui rend heureux... parole de breton!!!

Très bien mais ajouter le lait bouillant pour que la farine ne tombe pas, je met pas de vanille ni d'alcool.

 

 

Eu também não uso álcool. Mas rolo as ameixas na farinha! O resultado? Super!!!


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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