Terça-feira, 13 de Maio de 2008

blogs carinhosos

f Pourquoi les faire souffrir? 

 

A

admiração constrói-se na surpresa. Grandiosa é a capacidade de nos surpreendermos. Sempre! Com tudo. Com eles, connosco, com aquilo, com as coisas simples que surgem... assim, muito devagarinho. Apanhamos surpresas subitamente. Outras aparecem de surpresa, sem darmos por elas. Ainda há as maliciosas que nos apanham desprevenidos. Gosto das que nos fazem abrir a boca de espanto, que nos maravilham e que, por isso, nos deixam sem palavras. Os sentimentos não cabem nas sílabas, nos vocábulos que urdimos para narrar o indizível. A surpresa não se diz. O espanto grita-se! Ou cala-se... Mede-se em impulsos cardíacos. Em ritmos acelerados. Determina-se em adrenalina. A admiração é a primeira de todas as paixões, confirmaria Descartes.

 

Nega-se no hábito. Nos caminhos já memorizados. Na norma. Na indiferença. Na mecanização dos gestos. No alheamento. Na apatia. Na ausência de acontecimentos. São eles que nos plagiam a admiração!

 

Vem tudo isto a propósito de ter sido surpreendida e por me ter admirado. Fui descoberta! Aqui! Coisas de Blogs.

 

As minhas meninas, também elas principiantes nestas artes de navegar e edificar blogues, viajaram pelo mar das tags, dos endereços e, de link em link, lá me descobriram. As minhas princesinhas estavam encantadas com a minha admiração. Não calavam o seu sucesso de alunas aplicadas na ânsia de comentar.

 

Quanto ao mistério e à continuidade de outros encantamentos falarei noutro dia. Se me admirar, evidentemente!

(Imagem de jornal o olho interativo)


Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

pelas margaridas amarelas - aromas e cores

margaridaspelas margaridas amarelas - aromas suaves 

 

A admiração é o espanto da alma e do corpo. Um não sei quê que nos faz tentar perceber o que nos cerca. Admirar é agir. Problematizar, por isso descobrir, conhecer. Romper com as evidências.

Admiramos as montanhas, os rios, as flores, os risos das crianças ... Abrimos a boca de espanto junto à s Pirâmides do Egipto e lamentamos os acidentes de viação na A25. Cantamos a Canção do Mar junto à Torre de Belém e calamos as afrontas aos professores. Sentimos remorsos por não termos ido à praia no fim-de-semana e passamos a tarde num centro comercial. Emocionamo-nos com um poema e choramos a violência doméstica que faz manchete no jornais. Duvidamos da capacidade da ciência para descobrir a cura para o cancro e celebramos a vida. Irritamo-nos com a chuva e deleitamo-nos com um passeio à beira-mar. Vociferamos contra a gaivota que poisa no parapeito da janela e enclausuramos canários na gaiola. Maravilhamo-nos com a nossa língua e escrevemos com erros ortográficos. Transpiramos com o calor e coleccionamos postais com o pôr-do-Sol.

Olhamos.Tacteamos. Saboreamos. Ouvimos. Cheiramos. Mas também rimos e choramos. Por causas dos sentidos.

A admiração não se procura, acontece. Assim, devagarinho perante o estranho, o admirável. É ver, é olhar coisas simples. Eu ainda me admiro com banalidades.

Por tudo isto, ou mesmo por nada disto, hoje admirei-me com a beleza das margaridas  amarelas. Muitas, de mão-dada numa terra de ninguém.
Colhi um raminho, pequenino e coloquei-o na minha cozinha na esperança que ela ficasse amarela também. Puro engano! Que imprudência inútil!

A admiração não se corta pela raiz!

Estou: Admirada!

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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Gostaria de saber se vcs mandar mudas de margarida...
A "fonte" é dada a narrativas extraordinárias...
Pois é...
Sabes uma coisa "pequenina"? Continuas a escrever ...
Por vezes, é assim...
Escrita poética Gostei.
Pois, sabe bem ler as tuas palavras... saudade.
Que lindo!! Como sempre, uma escrita deliciosa...U...
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