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ponto de admiração

ponto de admiração

11
Fev09

bolar

Paola

Chegamos ali e paramos. Às vezes admiramo-nos, outras voltamos para trás. Redemoinhamos em torno de vontades determinadas. Adivinhamos o desfecho, sem direito ao admirável desconhecimento da narrativa. Caminhamos em círculo. Cada vez mais fechado. De cá para lá. Sem sair daqui. E depois, estonteados, declaramos que é a vida. Arredondadamente. Como uma bola que se esgota a jogar na esfericidade de existir.
 
Goloooooooooooooooooooooooo! Vai ser golo, vai ser golo...  Não foi! Mas poderia ter sido se não fosse o poste. Ou a barra. Golo certo falhado. Perdida incrível. Por cima. Ou foi ao lado?
 
Goloooooooooooooooooooooooo! Agora foi! Do adversário. Sem defesa possível. A bola teceu uma trajectória e aninhou-se no fundo da baliza. Entrou direitinha! Ou não?
 
Goloooooooooooooooooooooooo! Jogada fenomenal! Uma finta fantástica. Empate. Merecido, sem dúvida. Apesar de ter resultado de um livre mal assinalado. Mas foi! Ou não deveria ter sido?
 
Por vezes, tudo me parece um relato de futebol. Sem golos ou sem lances de perigo, lento, pouco emotivo em termos de decisão. Redondo. E a bola reinicia a jogada invariavelmente no meio campo. Sempre da mesma maneira. Ao pontapé! Sempre no meio… de um terreno retalhado em duas metades.
 
Goloooooooooooooooooooooooo! Admirável golo de vitória.  Só contam os golos de vitória! Os outros não valem…
 
 
imagem da internet
 
30
Set08

jogar

Paola

  da Internet

 

 

A bola rebola

de cá para lá

num jogo ofendido

em campo perdido

desafio a correr

de tanto saber...

 

Percebem-se silêncios e ansiedades. Tremores e presunções. A bola aquieta-se. Depois, sai a correr para o campo de lá. A jogar. Mas os passos são curtos e é empurrada para o lado de cá. Movimenta-se junto à linha. Sem rede. Sabe que não a pode pisar. Só que pisa. Fora! E ela reentra e movimenta-se pela esquerda. Apressa-se e ataca. Erro tamanho! É sacudida. Esmurrada. E como se já não bastasse, pontapeada. Que crueldade colossal! Bola parada, volta a correr. Sobra para o outro. Mais um pontapé. Não desiste. Para cá, para lá. Pelos flancos e vem ao centro. Não gosta. E escuta aplausos, ignora os apupos. Entusiasma-se no desassossego de jogar. E aí vai ela. E é. Não foi. Quase! Salta e corre e salta. É impelida pelas faltas pessoais. E corre para o campo contrário. Dizem-lhe que o pontapé é livre. Não percebe. Pergunta quanta liberdade tem. Dão-lhe uma ração de quarenta e cinco minutos. Duas vezes com intervalo. Por vezes mais. Só quando há prolongamento. E persiste. Rola e rebola. Falta! É falta! Zás! Mais um pontapé. Assim não dá. O importante é estar no seu lugar. Driblar. Saltar por cima e voltar a jogar.

 

Masoquismo, decididamente. A bola é sexualmente perversa. Envolve-se num acto de amor real. E todos contemplam um espectáculo de humilhação pública. Espancada, atada e submetida ao sofrimento. E o prazer sexual, deste redondo ser, consolida-se na mágoa. Ameaçado e submetido a abusos. E persiste em correr de lá para cá. De cá para lá. Para fora. Ao lado. Dá canto. Dá? Não foi! Está a ser. Quase…

 

 

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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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