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ponto de admiração

ponto de admiração

01
Jun08

iludir [crianças e a mentira]

Paola

rm (Piteira florida- fotografia de RMarques)

 

Nul n'ira jusqu'au fond du rire d'un enfant.                                                                                      (Vitor Hugo)

 

É hoje! Domingo de criança. Mas os garotos são flores de pita rodeadas por duros acúleos por todos os lados. Uma data projectada. Comercializada. Hipócrita. Untuosa. Açucarada. Como os figos da piteira.

 

As crianças têm bocas famélicas. Têm pizas e hambúrgueres. Têm mãos de afazeres calejados. Têm videojogos. Ecrãs LCD. Têm obesidade. Têm corpos doídos. Têm gomas e pastilhas multi-coloridas. Têm diabetes. Têm campos de refugiados. Têm quartos com Internet. Têm memórias de campos de concentração. Têm passeios nos centros comerciais. Têm centros de acolhimento. Têm a família no além. Têm ovelhas para acautelar. Têm parques infantis para rebolar. Têm livros para ler. Têm palavras e letras que desconhecem. Têm escola a tempo inteiro. Têm conhecimentos por haver. Têm pés descalços. Têm ténis de corpos fustigados. Têm pais a trabalhar. Têm família morta em cobiçosas contendas. Têm avós ocupadas. Têm a rua. Têm algemas a labutar. Têm tecnologia. Têm campos minados. Têm pedófilos e algozes. Têm piscina e sol com luz. Têm a escuridão. Têm descriminação. Têm direitos. Têm deveres. Têm futuros engraçados. Têm passados ensanguentados. Têm regozijos. Têm prantos. Têm hospitais. Têm lama e capim. Têm! Mas não têm. Depois há os habituais exageros civilizados.

 

A preocupação é tanta que se descobrem rostos carrascos onde não existem. Em ponto de rebuçado! Todos os vultos são para abater. Em muitos casos, perdeu-se a noção da realidade. Que ridículo! Ai, os senhores psicólogos que descobrem víboras no corpo, cada vez mais enroscado, de um inofensivo bichinho-de-conta. Coitado! Enrosca-se quando ameaçado... Também ele sucumbe às desgraças e infortúnios do mundo. É vítima, por vezes vexado.

 

Um dia é escasso. E o calendário tem 365 dias. Às vezes, mais um.. Eu defendo que os dias deveriam ser das pessoas. Das pessoas todas.

 

Oxalá, ninguém se lembre que das folhas da piteira se extrai fibra própria para o fabrico de cordas, tapetes…            

 

E mesmo aqui. Mesmo no 1 de Junho de 2008, as crianças têm fome. Notícia do Público!                        

17
Mai08

pour la liberté - cage d'expression

Paola

h Les oiseaux en cage ne peuvent pas voler.

 

- Maman, comment s’appelle cet oiseau? Il a un prénom, n’est-pas?

- Evidemment, mon chéri ! Toi aussi, tu as un prénom…

- Mais, mon prénom c'est Carlos ! L'oiseau ne s’appelle pas comme moi.

- Mais non, mon doux. L'oiseau s’appelle comme un oiseaux, tu es une personne…

- Maman, je veux m’appeler comme un oiseau. Je peux, maman?

- Tu m' énerves.Tu n’es pas un oiseau… Écoute-moi quand je te parle!

- Oui, maman. Cependant, les  personnes les mettent dans une cage…    Dis oui, maman!

- Tu  m’agaces tout le temps. Tais-toi!

- Maman… je peux  m'expliquer?

- Non !

 

num dia em que vi  retalhos de vida representados no corpo e na voz de meninos e meninas livres

 

(Imagem de numa rua estreita um poema)

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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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