Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

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o paradoxo de quem manda

 ou isto ou aquilo

 

 

Admiráveis e difíceis, as escolhas. Ou isto ou aquilo. Talvez o outro. Não sei. Escolhas… E a conjunção separa e desliga. Quero lá saber se a coordenação implica método e ordem. E se a relação não é hierárquica. A subordinação impõe domínios. Instala obediências subalternas. Não importa se a relação é gramatical quando a disjunção se impõe. Pedidos e opções. Optar implica preterir. Obriga a escolher e às vezes não se quer. Ou não se pode. E as alternativas são escassas. Como escolher entre um gato preto e outro branco se não quero nenhum? O preto dá azar e o branco é sorte que não tenho. E os gatos felinos são. Prefiro um cão.Todavia, decidir nem sempre é fácil. Nã pode se há pessoas. Se existem humanidades. E as pessoas não são chinelos de enfiar no dedo. As decisões tomam-se de manhã. Depois do pequeno-almoço. Antes não, que a opção de acordar cedo nem sempre é bem aceite. O corpo que não teve tempo para dormir o que tinha direito. Escolhas da vida. Sem opção, a maioria delas.

 

Por vezes, faço contas e jogo na antecipação. E ponho-me à janela a adivinhar o que vem para aí. Nem sempre consigo. Não vejo nada por causa do nevoeiro. Mas tento. O que não me agrada mesmo é que escolham por mim. Que me atribuam vontades que não tenho. Não sei, sinto-o como um insulto.

 

O pedido é fácil. Pedir só aceita duas possibilidades que se dizem nos minúsculos advérbios de negação e afirmação. Não e sim. Talvez aqui não serve. Que instaura a possibilidade. A dúvida é terrível. Prefiro contornos bem definidos. Já basta a metódica, mas isso é assunto que  aduba o conhecimento. Pedir é solicitar alguma coisa a alguém. Ou dá ou não dá. E a conversa que fique por ali. Não há outra hipótese. Por vezes até nos pedem para pedir. Insistem muito. E por escrito é melhor. Registe-se a pretensão. Depois não abençoam a coisa. E tecem comentários jocosos. Talvez insultuosos. E é nesse instante que a minha capacidade de entendimento se consome e falece. A minha vontade também. E tudo é tão fácil. Basta dizer que não. Ou então, não terem pedido para pedir… Por que me pedem para pedir se não querem que o faça? Ou não querem dar. E decidir o que eu quero?Assim como assim, não tenho escolha possível. Quem manda pode sempre. Só não gosto que decidam por mim, já disse. Mas podem mandar. Eu obedeço.

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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