Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

saber

[quando não sei de que falo, calo-me. E olho para lá...]

 

 

Não sei do que falo. Não sei conversar de todas as verdades em que paro. Perco-me e não vejo a minha. Por vezes, tento explicar mentiras. Caio no momento em que encontro outras mais.

 

Não sei de que falo. Na verdade, não consigo comentar o luar. E como a Lua se enfeitiça pelo mar. Não sei de que falo, quando me calo diante da beleza daquela roseira que enfeitava a paciência da minha mãe. E ela nunca lhe entendeu a efemeridade.

 

Não sei de que falo. Minguo na elevação do requebro da gargalhada de uma criança. Emudeço a escutar o marulhar do mar. A acontecer. Não sei de que falo se, por acaso, me debruço no olhar.
 

Fala-me daquilo que eu não sei! Para que eu possa falar…Agora, não sei de que falo. Tão-pouco se quero falar.

 

Não sei de que falo. E depois? Não importa… Desvendo-me dentro do silêncio com que as palavras me protegem. Ah! Eu sei o que é. No entanto, não sei explicar.

 

 


Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

bendizer

silêncios em caracol

 

 
 
- Bom dia!!!
- Vai chover.
- Uma saudação…
- Pois.
- Não retribuis?
- O quê?
- O cumprimento…
- Ah!
- Então?
- Não percebi.
- Bom dia!!
- O quê?
 
Desci as escadas a correr no silêncio dos meus passos… apenas os degraus roncavam espasmos de dor provocados pela corrosão do tempo e pela distracção derrotada… pelo aguçar dos sentidos a cada fenda vibrada… Estreitos para os meus pés, chiavam espantos como clarins ao alvorecer da batalha, para anunciar a manhã. As passadas desmaiavam pelas tábuas enegrecidas… sem corrimão. E era noite, mais quarenta e dois degraus… um salto e um vazio.
 
Desci as escadas sem vivalma para bendizer… Persuadida de que já não havia ninguém com quem pudesse falar… nas escadas comuns... como converso comigo própria
 
[imagem da internet]
 

 


Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

maldizer

Edgar Degas

 

 

 

 

 

 

 

A maledicência esbate contornos, borrata as cores  e degenera em bisbilhotice. Sem tempo, nem lugar. Que escarneça! Eu passo e mostro. Isso basta!

 

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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