Sábado, 27 de Junho de 2009

comer [migalhas que desabaram no chão]

 

Cascais

 

Desamparada, a mesa saboreia restos de tudo. Sorve, em inquietos copos do nada, sobras de vinhos espumantes. Deleita-se nos corpos distantes, remotamente saciados. Farta-se com os arautos de migalhas que se viram para o chão.

 

Satisfaz-se nas sobras de nós. No dia em que não chegámos.

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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