Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

rezar ilusões [tanto no céu como no mar]

 

No céu, as nuvens acontecem debruadas com orlas de azul… e recolhem, no ninho do seu afecto, sonhos atirados para o ar. No mar, as mulheres espalham rezas avivadas com marés de esperança … e serenam, no colo da sua fé, vendavais da sua pele molhada…

Em terra, eu adormeço na amálgama do mar e do céu … e choro por não lhes conseguir tocar… na perplexidade de tanto marear.

 

 

 


Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

contar [no resto das sombras]

 
 
- Somos nós três. Na rota do Sol…
- Dois. Eu não conto…
- Eu vejo três. Um… dois… três!
- Não vês!! Mas crês?
- Sim! Um… dois… três…

- Conta outra vez. Apenas o que vês.

- Já o fiz. A conta está certa. Três!

- Amigos, a sombra não conta…
- Sou eu!      
- Não! Não! Descortês!
- Amigo, a sombra não amedronta…
- A do medo sim…
- Vocês?
- Da periferia do mundo.
- Da ausência da luz.

- Eu estou aqui. Dentro de mim. O exterior não conta!


 
 

 


Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

arder [entre a verdade, a certeza e a ilusão]

la femme du trésorier, Wassili Tropinin

 

 

 

O Sol nasce com tanto brilho no seu esplendor! Solta-se do céu, esbanja regaços de luz... ofusca o meu saber… Enquanto resplendece no delírio da evidência, eu ardo na teimosia de ter razão… tal como o céu, a felicidade é uma utopia.

 

Ao Sol, embriago-me com uma taça de sonhos… E bebo muito. Insano desconcerto… Até sorvo o equívoco. Até a taça ficar vazia… Até ser noite…Até ser dia...

 

Com Sol, a verdade desamarra-se da ilusão… Então, na mais real e  clara realidade, sobra-me tempo para ser feliz…

 

 


Terça-feira, 26 de Maio de 2009

arder [entre a verdade, a mentira e o impedimento]

 
 

Acordei destapada pelo Sol que entrara afoitamente pela janela. Que descuido, o meu! Assim, como se eu fora raios que ele desbaratara em criança… Não era! Nem sou!

 

O meu corpo desejou chuva. Ao menos, ela chorava a meu lado. Molhávamos as mágoas. Emergíamos das dores. Do alto. No aprumo de ser.

 

Subitamente, lembrei-me que não posso apressá-la. Ela cai quando quer cair. E tombar. Na genialidade de acontecer. Escorregar. Alcoolizado desejo de molhar. Tantos rostos! Muitos! Copiosamente…

 

E eu cheguei a acreditar que ela apenas molhava o meu… Só que nunca aconteceu. Cheguei a pensar que estava apaixonada, mas descobri que era apenas desejo. É que eu sinto pela chuva a mesma coisa que sinto pelo Sol...

 

[fotografia de Ricardo Silva]

 

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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