Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

desnudar

as árvores morrem de pé

 

 

As árvores atravessam a inclemência do Inverno nuas e desgrenhadas. Desprezadas, choram lágrimas transparentes.

 
As árvores revigoram-se em ventos de silêncio. Apesar do frio, renovam-se na vida calada que carregam no ventre. Abraçam-se aos sonhos na perseverança de serem flor.
 
Silfo desposa as árvores desnudadas e deslumbra-as com pérolas de chuva. Elas descalçam-se no solo húmido e entregam-se num imenso desejo vital. Porque o amor exige a alma despida. Ele, esgotado, deixa-as ser. No gozo do infinito.
 
As árvores reaparecem sempre com um sorriso nas raízes. Com gestos de força, acenos de estabilidade e rebentos de paciência.
 
As árvores fingem-se mortas, para que possam cumprir o milagre da ressurreição. Outra vez. Mais uma vez. Sempre. Eu admiro-lhes a tenacidade. Um dia, também ressurgirei no infinitivo do porvir. Aquietada pela paz que reinventarei. 

 

nu natural

fotografia de Paola

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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