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ponto de admiração

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31
Mai08

e as crianças, Senhor?

Paola

j  Só porque o arroz-doce é tradicional. Eu gosto de tradições. Mesmo que não as cumpra. Por preguiça. Por memórias. Por avessos e contrários em que elas se transformam. Na dona Perpétua, evidentemente. Ao sábado. Na habitual gulodice partilhada. E com ele. O Biel é um garoto feliz. Vê-se nos olhos! Nas mãos. Nos pés alegres e contentes que não se moem de tanto correr. De rir e de gritar. Rodas. Rodas de moinhos. Luzes. Olás. E Lidas. Muitas Lidas. Tanta azáfama. Tanto trabalho. Também ele comeu arroz-doce. E deu. Assim, com uma colher grande que enfiava na boca da avó. Sempre com consideração. Cada colherada é rematada com um “ É bom?”. E era! Mesmo na inversão de papéis. Mesmo na bodeguice dos grãos polvilhados com canela. Ele é um menino feliz. Vê-se nos olhos.

 

Mas há os predadores de crianças. Perversos. Calamidades. Vermes que não se enxergam. Escondem-se em subterrâneos pantanosos. Em carapaças cobardes e pútridas. Uns ineptos, uns párias. Prefiro as minhocas. Que não são prejudicais à saúde humana. E todos os dias são informação. E não os vemos! Mascaram-se. Saqueiam. Espoliam. Na blogosfera também. Ouço falar de ninhos de cobras. De charcos podres. E as crianças são nenúfares.

 

Um pouco de paciência, e de tempo, basta para entrar num mundo de sítios de pais babados. Orgulhosos das suas crias. Demasiados Blogs com fotografias infantis. Enlevo fotografado. Amor desnorteado pelo mundo. E eu não entendo o gesto. Para quê tanta fotografia de criança linda? Cada vez mais somos alertados para os perigos. E as nossas crianças correm na Internet. A sociedade é ruim!

 

Eu sei que a vida é madrasta. Que vivemos abraçados a perigos. Basta sair de casa. Ou não sair. Que a cobertura pode desmoronar-se na mesma. Eu sei.

 

Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...    

 

Augusto Gil

 

Pelo sim ou pelo não, acabei de comprar mais um álbum. Pequeno, feito de cartão canelado. A cor? Vermelho-criança, certamente. Com triângulos transparentes nos cantos. Cada página separada por folhas de papel vegetal. Não há-de ser qualquer sedução digital online que me obriga a renunciar ao tradicional álbum para fotografias. Assim como não deixarei de comer o tradicional arroz-doce.

 

Não por uma questão de verborreia saudosista. Antes por causa das crianças. Y los niños, caballeros? Los niños?

 

 

(imagem de www._doces_momentos_.blogger.com.br/menino.jpg)

 

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Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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