Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

Gritos [quando o silêncio se alimenta na água]

 

Hoje, não me apetece escrever. Tenho a boca alagada por palavras e as mãos desenrodilham meadas de falas melindradas. É por isso que não quero escrever. Porque a diferença está entre o que vi o que não vi. Também o sol regressa todos os dias e anda pelas ruas em silêncio para eu ouvir a chuva que cai nos beirais.Não sei pensar quando as palavras não estão quietas.




Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

emparedar

pela vida
 
 
 Caminhando pelo empedrado chão da vida, contornei muros de desalento. Saltei estorvos caiados a cal. Pulei cercas e rompi a pele. Galguei sebes e caniçadas para espantar os pardais. Exasperei-me com déspotas tapumes que, ostensivamente, amordaçavam o olhar. Arredondei esquinas esgarçadas e desapareci depois. Desci! Cavalguei por recintos fechados. Encontrei-me com barreiras e obstáculos acasalados. Trilhei formigas. Perdi-me nas muralhas do castelo e aldrabei o tempo. Denunciei ecos de um passado devorado pela história. Apaguei palavras simples nos erros que empreendiam. Subi!
 
Eu fui o próprio espaço cerrado. Recinto, circuito murado. Beco sem saída confundido. Paredão atoalhado no mar.
 
Mas, nesses dias de estrada, admirei-me por atalhos que me levaram a mim. Que são caminhos estreitos que abreviam a distância … sem alfândegas. Pequenos desvios para burilar as paredes. Privativos e individuais. Pela vida fora!
 
 
 
Alverca
fotografia de Paola
 

 


Sábado, 17 de Janeiro de 2009

tramar

 imagem da internet

 

Sei de um saquinho. Linhas combinadas em movimentos ritmados e decididos. Calmos à tarde. Ao serão é que não. Novelos de sonhos que se desenlaçavam sorrindo. Enredos de artista desenhados por uma agulha adequada. E naquele dedilhar forjavam-se paisagens abertas. Futuras e presentes. Passados perfeitos e imperfeitos num templo de profetas. Condicionais muito hipotéticos. E tantos conjuntivos acarinhados! Sei de um saquinho de renda branca que antes de ser saco era apenas novelos de linha número doze. Agora geme na trama que é.  Hoje, quando digo saco, vejo uma paisagem que se amplia sem começo, nem fim. Sobre um fundo branco, avisto uma multidão compacta de palavras. Amontoam-se numa ordem esbanjada, hesitando entre a subordinação a regras impostas e o bulício que contêm. Quase todas me são estranhas. Às minhas, estendo a mão. Abraço-as com gratidão e elas emaranham-se em mim.  

 
Sei de um saquinho de renda branca tecida com dedos de deusa em laços de seda. Apinhado de amálgamas ponteadas de carinho. Com aglutinações de ternura e justaposições de amor-perfeito. Sem abreviaturas apertadas de nomes que a língua tem. Juncado por vocábulos animados numa parassíntese celestial. Antes e depois, infelizmente. E de todas as palavras primitivas que o saco encerra, são as mãos que teceram o saquinho de renda branca que eu peço. Mas eu sou acréscimo simultâneo de prefixos e sufixos. Sou recorte na união de dois radicais. Sou composição justaposta no guarda-chuva que na segunda-feira me abrigou da perturbação. Sou sigla num saco que desmaia nas letras que pronuncia. Sou acrónimo atormentado por arcaísmos determinados.
 
Sei de um saquinho de renda branca que se fecha sempre que uma justaposição de ideias imagina fugir. Arroz-doce… arroz-doce… arroz-doce… na mais perfeita composição. Com a mais primitiva canela. Sei de um saquinho de renda branca que esconde paisagens da floresta dos medos.
 

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

desassossegar

solidão com palavras
 
 
Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavras. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem.
 
E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
 
Livro do Dessassossego, Fernando Pessoa(Bernardo Soares )
 
E as palavras bruxuleiam desassossegos em mim, tu sabes. Não o vejo, mas sinto-o... Pressinto-o na correria desenfreada das palavras que fogem daqui. Adivinho-o nas vozes que ouço nos corpos que eu queria aqui. Perscruto-o nas pegadas abandonadas por passos que não sei. Vislumbro-o nas mesas vazias de café.
 
O café sabe-me sempre a desassossego. É a cafeína que conversa comigo até de madrugada sem sono de dormir. Se não converso com ela, entorna arrufos desagradados. Por isso, desço as escadas. Um café, por favor. Pensei, na inabilidade de pronunciar palavra. E uma chávena branca poisa comigo. Provocadoramente fumegante. Insinua-se em aromas libidinosos… e eu dou-me a uma tranquila paixão. E ali, reparto circunstâncias. Desassossegos da rua. Tudo à mesa do café… Ali, onde nunca estamos sós, porque fruímos o ruído dos outros.
 
Subi as escadas com o mesmo desassossego com que desci. Pressinto-o na correria desenfreada das palavras que fogem de mim...
 

Sábado, 4 de Outubro de 2008

submeter

de Paola, as horas

 

Submittere - muito melhor em latim

 

Não gosto de verbos assim. Porque palavra ruim. De má índole e de escassa tolerância. Desengraçada e assanhada. E que este vocábulo não pense que o uso com agrado. Apenas porque sou forçada.

 

Não o creio muito amado. Porque obrigar é algemar. O que também detesto. E congratulo-me com a abolição da escravatura. Nem me meto em desordens… Nem ando para aí a cantarolar “chamem a polícia."Às vezes chamo, mas é por causa de uns desordeiros da via pública que não aprendem a estacionar o carro em locais onde não impeçam a minha livre circulação. E lá tenho que refrear a minha ânsia de os insultar. E vencer as dificuldades que me colocam logo pela manhã. Ainda com sono e mau feitio matinal. É empreitada hercúlea. Irra, que é sempre a mesma coisa!

 

Não o acredito muito respeitado. Porque humilhar é coisa que não se faz. Por uma questão de estima. De auto ou hetero pouco importa. Porém estima. E eu recuso-me a curvar-se submissamente a este ignóbil verbo. Não posso? Posso! Porque às vezes até gosto de me entregar. Nem tenho nada contra a subordinação, apesar de preferir a coordenação. É mais franca e não embaraça tanto a vida. Embora, toda a gente saiba que há quem goste de dominar. Ganas de ficar por cima. Subordinantes licenciosas! Nada mais resta às coitadas das subordinadas que ceder. E conjecturar a propósito de subjugar. E dou por mim a admitir que o amor foi inventado por quem nos quer obrigar a procriar. Só pode! O amor virtual também? Quem sabe!

 

Não o admito bem prezado. Só porque não gosto dele, tenho que me sujeitar? Era só o que faltava! Já me basta ter que trabalhar. Se eu tivesse outras habilidades. Não tenho e assim não dá. Eu sei que o meu trabalho é bem airoso. Ruim mesmo é ter que trabalhar. Paciência! Lá vou ter que me curvar.

 

Não gosto de me submeter. Não! Morra o verbo, morra ele, pum, pum, pum!Trás!

 

E eis que chega um rabugento batráquio, muito verde e enfatuado, a obrigar-me à submissão. Que sapice, Senhor Sapo, que sapice! Só porque gosto de si, meu anuro verdoengo, me predisponho à função. E submeto-me também. Todavia não gosto do verbo, lá isso é que não. Quando submeter é imperativo caio e dou um trambolhão. Não gosto da posição e muito menos da humilhação.

 

E porque apenas contemporizo com submissões legisladas, já que sou obrigada por lei, vou sair e comer arroz-doce. Com muita canela e sem preceitos informáticos.

 

 

 


Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

avelhar

de Paola (Guincho, Cascais)

 

palavras com rugas e artrite reumatóide

 

A televisão está ligada desde cedo. As notícias divulgam-se ao ritmo das teclas do comando. A publicidade seduz pelo brilho e pela cor. As músicas são tão bonitas, comenta frequentemente. Não sabe nenhuma. Nem sequer é capaz de dar conta das novidades do país. Muito menos do estrangeiro. Não lhe interessam. Só quer a televisão ligada. Por causa do programa das receitas. Todos os dias uma. Que imaginação! Mas ela há muito que não cozinhava. As senhoras do Lar cuidavam do assunto. Por causa da companhia. E o aparelho cumpria a sua função. Falava. Cantava. Dançava. Representava. E até batia palmas. Só que ela não via. Bastava-lhe ouvir… Por vezes, adormecia no sofá. Todas as tardes dormita um pouco. No intervalo do sono que não chega de uma vez só.

 

Sentados no sofá falam palavras que não se olham nos olhos. Frases a granel. Vocábulos cansados por tantas vezes repetidos. Com pertinência. Sem nexo. Também sem necessidade. Sobretudo sem vontade. Nem sempre entendidos. E que interessava isso, se o importante é falar? Ambos desejam aquela sala povoada por vozes que falem palavras. Mesmo que as não percebem. Preferem o televisor. Porque fala e não os aborrece. Não têm que lhe responder. E não entendem que esteja sempre a falar de idosos deprimidos. Eles sabem que o envelhecimento corresponde aos danos da passagem do tempo. No entanto, recusam depressões caladas. Pelo menos, enquanto se amparam um ao outro. E é naquele canto da sala, em frente do ecrã, que emitem palavras ocas e vãs. Uma espécie de feira falante sobre temas mundanos. Com rifas que nenhum compra, não vá sair-lhe um termo que não quer ouvir. Não se queixam da solidão. Porém, gostam de se ouvir, apesar de já não se entenderem. Dos 55 anos de vida em comum, sobra-lhes a condescendência. A partilha do mesmo espaço. Há muito que não se agastam com disputas estéreis. Nem com outras. Decidiram não se cansar e amealhar o tempo que lhes resta. E as palavras. Proferem as indispensáveis. Silenciam desejos escondidos. Intenções ocultas. Amansam decisões que as senhoras do Lar não validam. Nem a neta que não está para os aturar. A Ritinha é uma menina. Eternamente menina. A deles. É neta, é para ser cuidada, amada e saboreada. E para estragar com mimos. Terreno arável onde semeiam amor, afecto, meiguice. Apenas coisas boas.

 

- Avóóóóóóóóó?

- Entra, querida!

- ya!

- Conta lá, como foi o teu dia na escola?

- Fixe! Tasse bem. Tenho muitos amigos. E conversamos muito. Assim tipo falar mesmo, sabes?

- Ai, filha!?

- Prontos, tão bem? A gente estamos. A cota deu-me uns trocos. Vou morfar cuns amigos.

- Ai, filha!?

- Xelente! Tão tão giros! Tão fixes! Tou tão contente. Vó, tou mesmo super, mega fixe.

- Ai, filha!

- Prontos! Só vim dar um kiss. Agora vou bazar.

- Ai, filha!

- Tchau. Jinhos. Amanhã volto.

 

Olham um para o outro, com a cumplicidade que os olhos contêm. Ele pergunta o que a neta tinha dito. Quando voltaria. E quis saber se a rapariga estava bem. Ela não respondeu. Não sabia. Mas que estava muito feliz com a visita. Afinal, a moça sempre tinha falado e aquela casa necessitava de palavras. E, outra vez, tal e qual como nas outras vezes, o silêncio interpõe-se entre ambos. Porque as palavras estão gastas. Raladas pela vida. Olham para a televisão. Mas não vêem que está a passar o programa das receitas.

 

Ele pensa. E ela percebe. Que as palavras têm vida. Que fazem um percurso e têm um curso como as pessoas. Que nascem e morrem. Que imitam e são imitadas. Que crescem. E até ressuscitam. E o vocabulário deles é muito parco. Sem neologismos. Nem tão pouco estrangeirismos. Nem percebem nada de registos de língua. Mas já tinham ouvido falar… na televisão. E a avó acaricia a neta. Que é nova. Que agora fala-se assim. O avô assume-se velho e lamenta que as suas palavras tenham envelhecido com ele. Que tenham rugas e sofram de artrite reumatóide. Que algumas até morram. O homem levanta-se e informa que vai dormir. Que repousasse bem e não se inquietasse, deseja a esposa dedicada. É que todos os dias nascem palavras jovens. Para contrabalançar, acrescentou. Já ele tinha fechado a porta do quarto.

 


Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

babar

 palavras babadas

 

 

Uma língua lambe-se com palavras. Dádivas que dizem o que se fala. Delimitam-se em fronteiras gastronómicas. Encantam-se nas cantigas de embalar. Nas lengalengas. Adormecem com histórias de encantar. Completam-se nas interjeições sentimentais. E cumprem-se na diversidade de aromas e sabores. Riem-se com onomatopeias brincalhonas. E jogam às escondidas com sinónimos e antónimos. Apaixonam-se e dão risinhos estridentes. E o determinante muito definido, masculino e único. Corpóreo e puro diz-se desvairadamente perdido de amores. Elevado com o nome. Também ele masculino. Por causa da concordância. Moreno. De olhos negros. Vivos e brilhantes. O artigo cansa-se com o assédio. Irra! É demais. Esperneia quando o nome é próprio e o amor singular. Mas diz-lhe que sim. Porém resiste. Enleiam-se num jogo de sedução cúmplice. O determinante persegue o nome. E este esconde-se para ressurgir risonho. Depois é o nome. Oculta-se também. E gargalham brincadeiras de rir e de chorar. Na rua passeiam a vaidade. Com atributos de todas as cores e paladares. No masculino. Singular. Trocam beijos e afectos em público. Abraços e mimos. A inocência da idade não lhes impõe bulícios desarvorados. Apenas sorrisos. E conivências no olhar. Oferecem-se na sedução do romance e do extraordinário. E publicam palavras atulhadas de afectos. Tantas. Todavia, preferem as que se iniciam por i. Imagem. Intuição. Importante. Imenso. Instinto. Iluminação. Infância. Identidade. Ir. Ir em frente. Inicial de inicialmente. Isaac de nome. Próprio. Alegria, felicidade e também filho de promessas. De juras de amor.
A gravidade explica os movimentos dos planetas, mas não pode explicar quem colocou os planetas em movimento. Nem este novo e admirável astro. E as palavras que eu sei não chegam para dizer o I.

 


Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

palavra de aluno

 

p  Hoje apetece-me subir ao monte e explicar ao céu que a terra não é redonda. Que os rios não correm para o mar. Que o Sado navega ao contrário. E não disse nada a ninguém. Que amanhã é já hoje. Que ontem é passado. Que as raivas se abraçam todos os dias. E finge-se a paz. Que o meu nome não é o meu nome. Porque odeio possessivos. Que o vento é apenas o vento. Não sabe o que faz, o tonto. Que os poetas são enganosos. Eles roubam-me as palavras. Aquelas que eu quero, e sei, para narrar emoções. Ocultam-nas para que eu não as arruíne com admiração e amor. E entoam sentimentos mascarados de engano. Disfarçam-se e querem que eu finja também. Inventam situações para camuflar as palavras, os poetas. Jogam um jogo que não sei jogar. E as palavras escondem-se e mostram-se e calam-se e comunicam e dizem-nos. Os poetas sabem o léxico todo. Sinónimos e contrários. E querem mais. Inventam palavras que emudecem as minhas. O mago da palavra burila-a. Como se fosse de cristal. Tira-lhe a luz. Extrai-lhe as impurezas. Cura-lhe os males. Copia-lhe a beleza. O poeta lança as sortes. Invoca os deuses e as forças da natureza.

 

No monte, oiço a musa do poeta. Que escreve poemas. Ao som da lira...

 

O meu gáudio advém do facto de eles se traírem. Baralham o esconder com o mostrar. Só para que eu perca o jogo. E me desnorteie na discórdia de sentidos. E brincam comigo para me deslumbrar. No desacordo de opiniões. Na subjectividade dos olhares. O poeta baralha o que quer mostrar escondendo. O poeta trabalha o mostrar e o baralhar para não ter que dizer o que quer esconder.

 

Mas não posso! Não sei trepar.

 

 

Nota - Hoje, os meus alunos viram assim os poetas. Este texto é quase só deles…

 

 

(imagem de www.aleac.ac.gov.br/.../stories/poesia_25.jpg )

Estou: admirada

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

dedicar

 
 
             R                           
pela dedicatória - o valor da amizade
 
 
 
 
Lembro-me da verdade escrita nas fitas coloridas de final de curso. Lembro-me da lealdade escrita, com caligrafia inventada, no rosto ou no ante-rosto do livro. Eram ofertas e carinhos e afectos presenteados no Natal, no dia dos anos... Por vezes, a dedicatória era, ela própria, o verdadeiro presente. Sempre admirei as dedicatórias. Poemas! Aos meus olhos, só podiam ser obra de poetas... Não falo daquelas que se vendem em postais com música incluída. Nem das que se reproduzem na Internet. Refiro-me às genuínas. Às que brotam do peito e se transformam em carinhos, em amizades, em amores. As que, anos depois, nos permitem dar conta que não estamos sozinhos .

Há muito que persigo a ideia de escrever uma dedicatória. Uma que diga o que penso, que pense o que eu falo, que liberte cheiros profundos das minhas emoções.  Como a romã! A romã é um fruto admirável... As suas bagas muito arrumadinhas, tão rosadinhas, numa posição intra-uterina. As romãs curam enfermidades. A natureza é mãe!

Porém, nunca fui capaz. As palavras saem repetidamente banais, gastas, cansadas, numa sentimentalidade excessiva. Contagiadas pelo sabor dos textos que já li, pelos vocábulos que povoam o meu património linguístico e que não consigo articular...

Nunca me ensinaram a escrever uma dedicatória. Gostava de ter aprendido. Aprende-se? Ensina-se? São precisas tantas palavras...

Pensei que poderia desenhar emoções; cantar sentimentos; expressar a grandeza da amizade; presentificar momentos passados como ícones da relação entre as pessoas; apagar a solidão que lavra por aí; riscar um quadro branco com giz preto - não existe cor no mundo? Não, a minha incompetência acena-me...
 
Não renuncio ao meu propósito! Persigo a ideia de comunicar afectos e paixões e poder confundir tudo numa bola de pingue-pongue que saltita à procura de sorrisos.

Porém, tudo o que escrevi foi ruim. Resta-me o conforto de nunca ter aprendido a escrever uma dedicatória.

Só queria ter conhecimentos e ter a destreza para comunicar aquelas coisas que se dizem... "Gosto de ti!" - "És linda!" - "Até amanhã." - "Ontem, vi-te no supermercado..." - "Então, tudo bem?" - "Pensei em ti!" ...

Afinal, parece tão fácil! Chega um sorriso, chega?

Pouco importa que "humanidade" se escreva com ou sem agá... desde que não despreze a sua etimologia: humanitate. Se um dia o agá  fôr erro ortográfico, apenas terá direito a um errare humanum est! Assim como quem tolera a diabrura de uma criança... mas sem perdão!

O agá faz falta numa sociedade que se revela inábil a escrever dedicatórias, todavia sabe o preço do barril do pretróleo e a cotação do dólar face ao euro... As palavras também têm história. E memória!

 

 

 

fotografia da internet


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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A "fonte" é dada a narrativas extraordinárias...
Pois é...
Sabes uma coisa "pequenina"? Continuas a escrever ...
Por vezes, é assim...
Escrita poética Gostei.
Pois, sabe bem ler as tuas palavras... saudade.
Que lindo!! Como sempre, uma escrita deliciosa...U...
Bela e feliz noite de Natal Bonita
Pena que um piropo teu...não seja um bom diaaqui ...