Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

beber

 a criação humana num copo de água

 

 ou

 a nociva exuberância da gente

 

E o tédio é um caos. Tudo numa inquietante tranquilidade. De vez em quando uma rã coaxa sem saber o que vem aí. A exuberância da vegetação esconde segredos calados. Adão está desesperado. Tanta terra para cuidar! Só tem que trabalhar. E ele não percebe nada de jardinagem. Eva também não. E têm fome. E a maçã é uma estratégia. Começam os desencontros. Os interesses acumulam-se. A felicidade é uma miragem. O mal e o bem existem no pecado original. E eles vivem o tormento desse momento banal. E que importância tem se não existem bares para afogar as mágoas? A angústia e o desespero atrapalha-lhes a vida e não agem por mal. Têm fome de tudo. De amor também. Sofrem. Valem-se a si próprios. Não se bastam. A solidão enruga-lhes a apreensão da realidade. Circunscreve-lhes o mundo, porque estão nus. E a nudez é pecado. E lamentam que ninguém  se  encurrale numa árvore qualquer e descubra o paraíso.

 

O mundo está aí. Tal e qual como o Homem quer. À sua imagem e semelhança. Com cobras e lagartos. Guerras e fomes. Misérias humanas originais. Pequenas e grandes transgressões, porque as fotocópias já não são desculpa e o pecado não é o original. Um copo de água ajuda?

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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