Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

Caminhar [numa doce extensão da minha casa]

 

 

 

 

Está aberta a época dos caminhos. E eu não sei as cores duras das pedras. Mas oiço as acetinadas e ternas palavras que se calam num silêncio obstinado. Os percursos que segredam ao fim da tarde num tom de chão coberto de cheiros com texturas que redimensionam o azul do rio. Se as pedras não falassem não havia atalhos. E eu não saberia por onde ir. Às vezes, pernoitam nas bermas e estendem pavimentos desenhados na poeira da terra. Ficam-se na admiração das margens, sossegam na frescura do verde. Depois abraçam-se aos fetos que estão abraçados aos pinheiros que se beijam na loucura do verde. É daí que espreitam o rio. Entram no barco e vão até ao areal. Depois, ficam a olhar. Riem à gargalhada e comem ruborizadas melancias.




Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Empedrar [história arrecadada no verde da pedraria]

 Quando na ignorância do arco-íris estuda a simpatia das cores, sente-se assim. Branca e preta. Preta e branca. Não se importa com a imperfeição da estrada. Nem com a geometria poeirenta do empedrado. E nota que as pedras que ali faltam são precisas à ladeira.

 

Quando, nas pedras da calçada, ele tropeça no seu olhar, ela roga-lhe que feche a porta. As janelas. Que cubra o telhado de gélido frio e que passe paralelamente à beira do pavimento. Ou então, erga um muro. Mas do lado de lá. Antes que elas comecem a afundar-se…

 

Quando ela olha as pedras da calçada, vê o verde da pedraria e escorrega pelo corte irregular do calcário. A preto e branco.

 

 

 [imagem da internet]

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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