Domingo, 14 de Setembro de 2008

esperançar

Admirarmo-nos é bom. Melhor, se sentimentos contentes. Alegres e bem-dispostos. Mesmo que estranhezas. Há sempre as boas e as más, já se sabe. E quando a compreensão acaba, porque objectiva, surge a dmiração! Todavia, a boca abre-se espantada perante factos que não nos escapam à razão. E não é admiração. Não!

 

Admirado com o que há para aí, o anterozóide desenha e diz. E ri.

 

© Antero Valério

 

 

E eu encontro motivos para continuar, ainda, mais admirada. Mas tenho esperança!

 

 

 


Domingo, 7 de Setembro de 2008

comunicar

 

 

Meus Senhores, Minhas Senhoras, Meninos e Meninas. Leitores.

 

Amigos e Amigas.

 

Família.

 

Hera.


É aqui, exactamente aqui, que comunico que estou  desmotivada. Doença súbita e não infecto-contagiosa. Microrganismo desconhecido no corpo humano. Se mais disserem de mim é mentira. Deturpações conjecturais. Propaganda política. E eu estou a falar de resultados. E tudo vai ser feito de acordo com os prazos que estão estipulados. Do modo que está definido. Talvez pior, não? Só é preciso cultura profissional. E é com tranquilidade que os professores fazem o seu trabalho. Não os desviem da sua missão principal.

 

Nada mais tenho a comunicar. Agradeço a vossa atenção.

 

Boa-tarde a todos.

 

 

  © Antero Valério

 

 Nota - Não há tempo para as habituais perguntas dos Senhores Jornalistas. É domingo!

 

 

Fotografia da Internet


Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

perceber

a consciência humana é gulosa 

 

 

A admiração começa onde acaba a compreensão. Charles Baudelaire, poeta francês, tem razão. Por isso, é que nos assombramos quando deixamos de perceber. Com os sentidos todos. Também com o corpo. E com a alma que não sei bem o que é, mas é aquela parte de nós que tem direito a ir para o céu. Os humanos têm, os outros bichos não. Até concordo. Em alguma coisa nos havíamos de diferenciar. Que seja na alma. Às vezes, a filosofia dá jeito.

  

Admiro-me sempre. Só porque tenho sensibilidades plurais. Tanto que não entendo que queiram reduzir os professores deste país a uma multidão silenciosa. A circunscrevê-los porque gente com opinião.

 

E não posso deixar de me admirar, no sentido de não ficar indiferente, quando leio que se preparam para oferecer um pequeno complemento salarial a alguns avaliadores, que é como quem diz a alguns controladores, isto é, aos capatazes. Esse complemento não excederá os 100 euros mensais mas será suficiente para comprar as consciências de milhares de aspirantes a controladores. Em época de profunda crise económica, social e cultural e face à aparente ausência de alternativa ideológica e económica ao modelo único globalista neoliberal, 100 euros é o suficiente para comprar as consciências e a vontade de milhares de professores que o são sem vocação. E serão esses, os professores sem vocação, que mais depressa venderão as suas consciências a trairão os colegas de profissão. E é então que esta manobra de grande perversidade atingirá o seu zénite: os piores professores, aqueles que vieram parar ao ensino sem vocação, serão gradualmente transformados em capatazes e, subitamente, uma realidade tão maligna que eu diria digna de uma conspiração à escala nacional, virá à luz do dia: os piores professores farão parte dos eleitos, serão os capatazes, muitos deles ficarão libertos da maçada das aulas e verão a sua traição recompensada com um complemento salarial. Este cenário parece-lhe irreal? Digno de um filme de terror? É apenas a realidade apanhada no seu processo de criação de forma idêntica à do fotógrafo que consegue uma foto no exacto momento em que as minúsculas cobras se libertam dos ovos. *

 

E eu, que não suporto cobras,  já sinto na pele, e o tacto é um sentido, a gula da ascensão… Não comprendo, mas também não admiro. Apenas me espanto.

 

E o inferno passará a ser um local arejado, com várias salas, a que se acede por um enorme portão. E as almas que por lá andam são obrigadas a trabalhar como fazedores de papéis. E ardem, ardem sem que ninguém perceba o seu sofrimento.

 

* Ramiro Marques

 

imagem da Internet


Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

enganar

  perigos e mentiras

 

   não tenho 3 meses de férias!

 

Sou do tempo em que a escola que respondia às necessidades de uma sociedade calada e torturada. Aprendia-se o que eles queriam que nós aprendêssemos num sistema agrilhoado e centralizado. Num livro único. A preto e branco. Com ilustrações estúpidas e distantes da realidade.

 

A escola que o Estado Novo impôs em Portugal era elitista. A população portuguesa era analfabeta. E Portugal a ignorância foi o expediente de um regime que censurava a informação e proibia as liberdades políticas. Impunha uma orientação religiosa. Separava os rapazes e das raparigas. Os professores utilizavam com muita frequência castigos corporais severos. É tudo verdade. Há testemunhos.

 

Atravessei a chamada “primavera marcelista”, apesar da minha inconsciência política. Por isso, só depois de 1974 é que comecei a perceber a razão dos meus acidentes escolares. Mas não me queixo muito. Uma ou outra reguada e pouco mais. O que odiei mesmo foram as chamadas a História, já no ensino secundário.

 

Nada do que aprendi, ou memorizei, me fez mal. Nem sequer a catequese ao sábado e a meia hora diária a cargo das freiras que viviam num convento mesmo ali ao lado. Talvez tenham contribuído para a construção da minha religiosidade. Ou a falta dela. Agradeço-lhes o tributo para o aperfeiçoamento do meu sentido crítico. É que a algumas práticas da igreja católica portuguesa não lembram ao mafarrico. Nem o óleo de fígado de bacalhau que provocava vómitos contidos e lágrimas pequeninas, não fosse a professora ver. Também não sei se fez bem. Mal não fez. Até as fotografias colocadas por cima do quadro, idolatradas por obrigação, foram úteis para mim. Aprendi a reconhecer os rostos daqueles que sugaram a liberdade e ofenderam um povo com a violência do poder.

 

Não foram as lições de Salazar, e seguidores, que me fizeram pensar como eles. Todavia, esses preceitos ensinaram-me que os deveria rejeitar. E ainda hoje não aceito que o País seja, como era, representado por uma galeria de santos, mártires e heróis. E tantos que fazem a primeira página dos jornais…

 

Aguentei e teimei. Hoje sou professora. Com um programa centralizado, e único, que cumpro. Com liberdade de dizer. Cerca de 34 anos depois de Abril, a sociedade portuguesa ainda não compreendeu que os professores de hoje não são os de então. Que se é professor 365, ou 366, dias por ano. E ao serão. E ao fim-de-semana. Agora também por email. Porque um professor não é um produto acabado.

 

Hoje, da mesma forma que odeio um regime que analfabetizou um país, não suporto que me digam que tenho 3 meses de férias. É que não tenho, nem nunca tive.

 

Quanto tempo mais é preciso para que se saiba que os professores não têm culpa das cambalhotas que o ensino tem dado em Portugal? É que eles também são vítimas.

 

Já chega! Abril cumpriu-se em 1974…

 

 

(Fotografia da Internet)

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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A "fonte" é dada a narrativas extraordinárias...
Pois é...
Sabes uma coisa "pequenina"? Continuas a escrever ...
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Escrita poética Gostei.
Pois, sabe bem ler as tuas palavras... saudade.
Que lindo!! Como sempre, uma escrita deliciosa...U...
Bela e feliz noite de Natal Bonita
Pena que um piropo teu...não seja um bom diaaqui ...