Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

quebrar

no vento desenho a fuga 

 

 


O vento fresco da manhã atravessou desavergonhadamente a janela… guarneceu o meu incauto e desnudado corpo com nítidas asas brancas. Matizou-as com delicados fiozinhos dourados roubados ao Sol… Libertou-me o cabelo das nuvens… A viagem aconteceu moderadamente. Num abraço de brisa fresca, percorremos as ondas do éter no manso fascínio da correria.

 

O vento, na mais límpida desatenção, largou-me num sopro perpendicular ao céu, numa verticalidade violeta. E o vento rodopiou por cima de toda a gente que encontrou. Rodopiaram as folhas e as nuvens. O Sol e as flores. Pedaços de mar e rios de amantes...

 

Mesmo que eu pudesse consertar a minha asa despedaçada, não saberia… o meu grito poisaria na sua ponta dorida e as penas vogariam na correnteza do rio…

 

O vento poisou. Serenou. Lambeu as feridas do meu olhar e pôs-se à janela...

 

 

[imagem da internet]

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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