Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

Outra vez [na maré do pescador]

 


a traineira desbotada. o mar satisfeito na desigualdade do azul. o sabor da maresia. um abraço consistente. a dureza da sorte das marés. as mãos amansadas pelas cicatrizes. um mergulho danado. o suor que rega a agilidade do corpo. as lágrimas despejadas na areia. o colo do refúgio. um porto ancorado. o grito da gaivota. a noite escondida. a lua clandestina que cuida do espaço. o mar sem idade. o sol que nasce na barra. o cais da saudade. o retorno ao leme de uma imensidade amainada. a alcofa de peixe no chão. a riqueza na mesa. o medo quebrado. uma concha de pão com sabor a espuma que acaba na areia. o prazer do sal na boca do pescador. um emaranhado de malhas remendadas pela paciência dos dedos. na mesa a traineira corta a espuma da maré. a gargalhada imperial. e na minha língua a sardinha faz-se lenda. numa ancoragem de emoções.



Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

supremo encanto



agora mais nada. o verão caiu no chão. com o sol na barriga. neste instante, lambe o doce suco  que lhe ornamenta as mãos. e agradece o esquecimento dos deuses. que pernoitem longe. que pernoitem.


 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape "Douce l'éternité qui coule des fontaines/ Au printemps quand le vent dissipe les brouillards/ Douce la porte ouverte à l'ombre du grand chêne/ Et douce son odeur dans la soie d'un foulard."

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