Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

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de João Palmela

 

 

Tudo muito comum, num dia desleixadamente chuvoso. Entendo a minha infância, entre aguaceiros descontraídos e intranquilos rasgos de luz. Escuto algazarras meninas e gargalhadas miúdas. Quedas e correrias atrevidas, ao mesmo tempo que avisto bandos de pardais. Poupas e piscos num gorjeio arrojado.
 
Sempre que oiço a minha infância, vejo reflexos da minha velhice. E antecipo a pontualidade do tempo.
 
 

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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