Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Verde [na ternura do olhar]

 
[Castanheira de Pera]


Gosto deste mundo colorido e vivo. Da expressividade das ervas e das flores. Do jardim talhado e geométrico. Do abandono acautelado das árvores. Do rio que serpenteia agressivo por vales e montes. Da doce pacatez das águas aprisionadas. Do fingimento do mar. Gosto do direito e do avesso. Assim, sem ter que escolher entre isto ou aquilo.

 

Do contentamento do verde. Da luxúria esverdeada em redor. Do pássaro pipilante na quietude da folhagem.

 

Gosto do verão com horas suspensas. E de saber que amanhã aparecerá um novo rebento em cada semente desabotoada. Um princípio novo. Brilhos da natureza no esplendor do amanhecer. De um sol brilhante. Porque gosto da simplicidade verde da natureza. Sempre que os meus olhos se perdem na embriagada harmonia que se satisfaz do chão.

 


Quarta-feira, 25 de Março de 2009

esverdear

Gosto de estender o meu olhar pelo verde. Trepar às árvores. Agarrar as folhas e rebolar no chão esmeralda-matizado. Mas o que eu gosto mesmo é de olhar… perceber a pequenez dos meus olhos e esfregá-los de espanto verde-claro. Cair redondamente no horizonte e acreditar que há mais. Que o verde continua o lado de lá. Perder-me no seu silêncio e deleitar-me com o cheiro a alecrim. Ai, as mimosas! Distraio-me no amarelo da carqueja e confundo-as com o Sol! Mesclam-se as cores, misturam-se os perfumes, fundem-se os bem-me-queres.

Há pouco, vi o verde. E era tanto, tanto, tanto! Há pouco, vi flores para te dar… e comecei a duvidar que o verde seja uma cor.

A cor do verde amanheceu. Fez-se azul-céu de passados esverdeados. Depois, pintou-se de verde-mar e eu naveguei por um oceano que logo se amansou… andei pela alameda de espuma, viajei na ponta das ondas e perdi-me na busca de mim. Achei reflexos dos meus pensamentos… As flores não as colhi. Arrependi-me do repentino impulso... 


[imagem da internet]


 


Domingo, 6 de Julho de 2008

um domingo fora da cidade

um piquenique ao fresco

 

Foram geleiras. Malas e malinhas. Umas transformaram-se em mesas com bancos. Outras não. Sacos de plástico emproados e contentes. Por um dia assumirem o papel de cestos de farnel aviado na véspera. Com toalha aos quadrados azuis e verdes que eles pintaram de vermelho e branco. Como manda a tradição. Muitos pastéis de bacalhau e outras frituras análogas. Arroz. Bolas e tartes. Pão. Muito pão. Melancia vermelhinha. Melão afidalgado de pepino. Cerejas e uvas muito redondinhas. E muitas garrafas. E muito vento. Sôfrego. Faminto. Por isso, houve comedorias que ele não viu.

 

Primeiro concentram-se os intervenientes. Ligam-se os motores e inicia-se a viagem. Já no local previamente escolhido e limpo de lixos, dispõem-se todos os ingredientes sobre as mesas. Largam-se umas boas gargalhadas. Logo a seguir, mistura-se tudo. Ninguém é dono de nada. Mais umas gotas de risadas. Depois come-se. Já poucos falam. E comem. E olham. Contemplam. E investigam. Por um dia, apeámo-nos de vícios urbanos. Por ali. Eu cá gostei. Foi um momento lindo. Numa paisagem magnífica. E muitas admirações!

 

Hasta la vista...

 

 

Nota: Há mais fotografias no Panoramices. De pessoas é que não!

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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