Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

carrossel [quando uma girafa de pau tomba do céu]

  [imagem da Internet]



Fui a feira. Não queria ir, mas fui. Temia o barulho das cantigas. O universo ativo das vozes. Os apitos estridentes que gritavam a partida. Quando o silêncio era um desejo maior.

Fui à feira. Rodopiei nas gargalhadas do carrossel. Subi ao céu e colhi um ramo de estrelas. Depois lambi as mãos numa constelação de sabores, enquanto os meninos comiam histórias que eu sei sobre o algodão doce.

E foi no voluteio do carrossel. Foi no preciso momento em que a girafa olhou para mim que o silêncio se pôs. Apenas eu o vi. E uma enorme bola de fogo caiu no horizonte da minha infância quando os olhos dele me chamaram.

 


 

 


Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

partir

raios partam isto tudo!

preciso de desabafar...

 

 

 

Hoje, sou eu na plenitude de mim. Sem efabulações, na mais inteira verdade. Assanhada. Desapontada. Impotente. Espoliada. A história, que vos que contar, diz-se em poucas palavras.

 

Chegou o dia da consulta de ortopedia que, confesso, aguardava com alguma ansiedade. Aguardei mansamente cerca de três horas… Ouvi o meu nome… fui. O médico perguntou-me o motivo da minha presença… lembrei que tinha fracturado o escafóide… pois e tal… é preciso fazer RX… tome lá a requisição… vá lá acima… Perguntei-lhe se podia deixar o casaco e a pasta no consultório, ele respondeu que sim, que fosse depressa. Eu fui…

 

Radiografia na mão, aí venho eu escadas a baixo com a expectativa na ponta dos pés. Já na sala que de acesso ao consultório, relatei à enfermeira o que andara a fazer. Pedi-lhe que informasse o senhor doutor ortopediata que eu já tinha o RX…

 

Tombei fuzilada de espanto na cadeira mais próxima… O homem acabara o turno, enquanto me radiografavam a mão!! E como um ortopedista, que até é um homem, tem mais que fazer na vida do que aturar ossos estupidamente quebrados… foi-se embora.

 

Assim. Sem deixar rasto, incomunicável. Todos o procuraram. Todos ouviram o meu protesto. Excepto ele que terminara o turno… E foi assim que, pela primeira vez na minha vida, tive uma meia consulta e uma meia radiografia, sem relatório, que nenhum médico viu, nem quis ver… por questões de ética.

 

O senhor assina como médico ortopedista… de nome Doutor António Nunes Godinho. E ali mesmo, num hospital público deste país, que ele  me ensinou o que é falta de profissionalismo. De ética. De atenção pelo doente. De respeito pelo contribuinte. De consideração pelo país. O senhor doutor, fiquei a saber que será  candidato a Presidente da Assembleia Municipal de Azambuja, com o bandulho farto de pressa íntima, deixou o trabalho a meio… E que importância tem, se ganha o mesmo? Irra! Só posso estar a ver mal a coisa. Afinal amanhã é véspera de um longo fim de semana…

 

O homem não me conhece de lado nenhum. E diga-se, nem foi ele que partiu o meu destroçado escafóide… Só que não sei que fazer com uma meia consulta, uma meia radiografia, um meio médico e uma tarde inteirinha perdida no hospital… Nem responder aos meus filhos quando me sujeitarem ao interrogatório do tipo " O que disse o médico?". Não vão perceber que o desgraçado se calou... e eu não vou ser capaz de explicar...

 

(fotografia da Internet)

 

 


Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. [Fernando Pessoa]

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